Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

Italo Calvino

Italo Calvino 1923-1985

De novo uma surpresa latina.

Ítalo Calvino é um nome bastante conceituado no mundo da literatura e é, sem dúvida um homem que gosta de livros. È uma daquelas pessoas que gostaríamos de ter tido como mestre ou professor e que sabemos que ao ouvi-lo estamos a aprender muito mais do que a história deixou para trás. Ele faz a história.

 

O livro narra a história do leitor (eu) que comprou o último livro de Ítalo Calvino, “Se Numa Noite de Inverno Um Viajante”, e que quando chega a melhor parte do livro, este inicia-se com um segundo capítulo de uma outra história que nada tem a ver com o primeiro. Ao chegar à livraria para reclamar, o leitor (ele) encontra Ludmilla, uma leitora que se queixa do mesmo problema. Descobrem então que o segundo capítulo não foi escrito por Calvino, mas por um autor Polaco. Intrigados iniciam a leitura do novo livro para descobrir, posteriormente, e outra vez incompleto na melhor parte da história, que o livro não é polaco, mas cimério. A busca continua, e os dois protagonistas são envolvidos em conflitos políticos, um repórter desaparecido que iniciou uma demanda em busca do romance perfeito, sociedades secretas que disputam a hegemonia dos princípios literários e mais um cem número de coisas. Na realidade existem dez histórias inacabadas, mais uma que as interliga. Por fim descobre-se que… não, não vou contar.

“Se Numa Noite de Inverno Um Viajante” é um dos melhores livros que já li. E a melhor forma de o descrever é a explicação que dei a um amigo há algum tempo: “Quanto tempo levas a ler um livro destes? Uma semana? Duas? Então imagina uma performance sexual de duas semanas, na qual não consegues atingir o orgasmo, porque no momento fulcral, algo te distrai de modo que tens de recomeçar tudo de novo.” Dá cabo de uma pessoa, não dá?

publicado por ikaros às 17:01
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

Beck

Bek David Campbell - 1970

 

É assim que eu vejo a coisa:

Nos finais da década de 80, o mundo da música pop definhava. Alguns focos acendiam-se um pouco por todo o lado, mas nada de muito consistente. Na terra do tio Sam , as tendências dispersavam-se. Então, no início da década de 90, nas zonas costeiras, lá para os lados da Califórnia e de Chicago, uma nova cultura Neo-punk emergia a toda a força. Ficaram desta altura referências como os Green Day e os Smashing Pumpkins . Mais para os lados de Seatle , o Grunge dominava a cena musical havia já alguns anos. Com bandas como os Nirvana e ao Pearl Jam , este tipo de rock mais perto das origens e ao mesmo tempo mais duro na sonoridade tornou-se o estilo de uma geração. Por fim, e ainda no inicio dos anos 90, um pouco por todas as grandes selvas urbanas, os computadores entraram em cena despertando o  Hip-hop  que se mantinha há tempo muito adormecido. São deste tempo grupos como os Fugees e os Public Enemy .

Mas a novidade da década ainda estava para vir. Menos preconceituosos e mais desinibidos, uma nova geração de jovens irreverentes (ou Slacker Generation ) brincou com a música e baralharam os estilos. Quebraram as barreiras dos  géneros musicais e, à falta de melhor, chamaram-lhes Indis (independentes). Havia já algum tempo que bandas como os Beastie Boys tinham dado o primeiro passo neste sentido, mas creio que nenhum outro veio a determinar o estilo de uma forma tão marcante e tão bem definida como Beck Hansen .  Beck misturou o Folk , o Blues do delta do Mississipi , o Punk e o Hip-hop , de uma forma tão bem sucedida que acabou por inspirar toda uma geração de novos músicos. Nasceu assim, uma nova tendência artística chamada Anti-folk.

Relembro: Beck não foi o primeiro, mas foi ele que fechou o círculo. 

 

publicado por ikaros às 23:34
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

Papa Luna

 

Onde raios fica o Tadjiquistão?! Alguém me sabe dizer? Porque se assim é, como é que um dos melhores filmes que já vi na minha vida tem a naturalidade deste país? E não, não estou a falar de um daqueles filmes introspectivos e hermético que se arrastam à laia de um documentário sob uma música de fundo minimalista. Estou a falar de um filme no seu formato mais tradicional, com princípio, meio e fim, fácil de entender e fácil entreter.  Mas...  Tadjiquistão?!

É claro que um fenómeno destes não é singular. Temos o caso de Emir Kusturica que nos brindou com as melhores comédias Jugoslavas (Bosnia), um país longe de ser, à primeira vista, divertido. Mas Luna Papa é asiático. E não é aquela Ásia tradicional que nos vem logo à cabeça, é aquela Ásia meio russa meio Islâmica onde os pequenos países eclodiram após a queda do império soviético. Na realidade, nenhum dos meios conhecidos sabe situá-lo no mapa.

E depois penso: E nós? que deitamos nós para fora? O Manoel de Oliveira? (Sim, pronto, está bem, é um grande realizador e tal, mas confessemos, não é propriamente divertido). Então o que nos sobra? Os diálogos eloquentes do estilo "Vai à merda." "vai tu!"? Não, definitivamente falta-nos algo. Não é que tenha algo contra as grandes fitas de autor, mas sinceramente sinto falta do resto. Á portuguesa.

Sim senhor, o realizador Bakhtyar Khudojnazarov teve a ajuda da Alemanha, do Japão, do Uzbekistão, da Austria, da Suissa, da França, e da Russia. Mas nós temos a CEE. E os nossos amigos aliados. Que raios, não convencemos ninguém?!

 

 

 

Luna Papa estava em cartaz e fiquei relutante em entrar no cinema, mas quando de lá saí a assobiar a banda sonora, concluí que aquele filme era imperdível. Pronto. Vi-o e estou satisfeito por isso.

 

Mais pormenores em: http://www.atalantafilmes.pt/2000/lunapapa/logoani.htm

publicado por ikaros às 23:41
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

Terry Gilliam

Terry Gilliam - 1940

 

No anterior post sobre os Monty Python decidi não abordar o trabalho realizado por Terry Gilliam para poder lhe reservar um capítulo à parte. Não é que tenha muita coisa para dizer sobre ele, apenas creio que as suas obras se distinguiram dos Monty para adquirir uma linguagem própria e, de certo modo, mais abrangente.

Do inicio da sua carreira tenho a referir, para além das actiuações, as fabulosas animações que Gilliam criou para os seus colegas em "The Monty Python Flying Circus". Animações simples na tecnologia mas riquíssimasno engenho. Recorrendo a fotografias, gravuras antigas e a pinturas dos grandes mestres, Gilliam criou assim uma linguagem plástica muito característica que, para além de se enquadrar no espírito inglês, agradou tanto aos eruditos como aos seguidores da cultura pop da altura. Neste aspecto, Gilliam marcou definitivamente uma tendência.

 

 

 

Depois vieram os filmes. Primeiro as curtas metragens e depois os trabalhos mais arrojados. O que muito me surpreende é que, nestes trabalhos, ele poderia cair na tentação de recriar um filme ao estilo dos Monty Python aproveitando-se, desta forma, da fama que o grupo vivia na época. Mas Gilliam pugnou pela sua integridade e acabou por criar algumas das maiores obras cinematográficas. Embora com muito humor negro e muito nonsence britânico, estes trabalhos deram ao autor o destaque e o reconhecimento que há muito merecia.

 

Aqui estão dois clips dos filmes "Brazil " e "12 Macacos". Os grandes temas sobre a humanidade como Franz Kafka e Aldoux Huxley não ousaram retratar. 

 

Não percam a sua última longa metragem: Tideland

http://www.tidelandthemovie.com

publicado por ikaros às 23:17
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Terça-feira, 19 de Junho de 2007

Friedrich Nietzsche

Friedrich Wilhelm Nietzsche 1844 - 1900

 

Calma! Calma! Antes de tudo, muita calma. É verdade que Nietzsche foi polémico, misógino , sexista, xenófobo , sociopata , intolerante e acima de tudo (para alguns) extremamente chato. Também é verdade que é a ele que se deve algumas razões que despoletaram os ódios da segunda guerra mundial. É verdade, sim senhor, e não estou aqui para insinuar o contrário. Nietzcshe foi isto tudo e, ainda por cima, frustrado sexual. Mas tentemos um exercício, responder a uma única questão: porque foi tão difícil demonstrar que ele estava errado? tentemos responder sem moral, sem ética apenas cientificamente e com lógica.

Na verdade, não pretendo iniciar uma dissertação sobre a filosofia de Nietzsche. As obras que mais me marcaram foram "Para além do bem e do mal" e "A genealogia da moral" e foram estas que me agitaram as ideias.

Em "Além do bem e do mal" o que mais me surpreendeu foi a escrita. Não é de fácil leitura: as ideias aparecem-nos muito concentradas não deixando espaço para lapsos e distracções , e para além disto, as frases são compridas. Mas nele realçam as ideias sobre o poder, o insurgente sobre a cultura do dogmatismo e do servilismo , assim como reflexões sobre a linguagem (bastante válidos). Pontuando isto tudo, de uma forma bastante inteligente, com exemplos sobre as religiões, as culturas e as tendências sociais de então.

Em "A genealogia da Moral" o texto continua, mas desta vez focando (e atacando)a questão dos valores.

Com estas reflexões, Nietzsche desarmou várias gerações de filósofos e mesmo correntes que pareciam distanciar-se deste pensamento, voltavam por recair na mesma velha questão. Por exemplo, ao seguir a corrente existencialista, que me parecia superior a todas estas questões mundanas, deparei-me com as obras de Martin Heidegger (o mestre do existencialismo) que, como se sabe, não resistiu à tentação de incluir a filosofia de Nietzsche no seu raciocínio. Nem o utilitarismo inglês, bastante mais empírico , parecia destronar o niilismo em que a filosofia tinha caído.

Perdido na conclusão fatídica de que Nietzsche era o ponto final, decidi virar a minha atenção para a antropologia e posteriormente para a biologia ("O espectro de darwin" de Michael R. Rose). Foi aí que finalmente encontrei a fuga. Na verdade há muito tempo que se falavam nas consequências deontológicas da genética, mas eu estava longe de aperceber-me de que dois mais dois eram igual a quatro. Foi preciso recorrer a Darwin. Por estranho que pareça , as teorias de Darwin que tanto tinham beneficiado o pensamento Nietzschiano , agora, graças à genética, eram o seu principal antídoto. Na realidade, não era a razão do mais forte que interessava, mas sim a razão do mais adaptado. Sabiam por exemplo que existe uma tribo na África subsariana que é imune ao vírus da sida? E se esses fossem os sobreviventes da raça humana? E se neste povo (supostamente mais primitivo, negro, subdesenvolvido para alguns) jaz o segredo para um dos maiores flagelos que se abateu sobre a raça humana (mais civilizada , mais branca e mais desenvolvida para outros)?

Sim foi uma longa viagem e reconheço que Nietzsche foi uma batalha e tanto. No entanto recordo-o com muita perplexidade e alguma admiração envergonhada, porque é sobre estes génios que devemos estar atentos, pois muitas vezes colocam as questões às quais não temos respostas e depois... a verdade pertence-lhes. Por isso durmam, meus senhores, durmam que o anticristo, assim, há-de chegar muito mais humano do que cremos.

 

publicado por ikaros às 21:20
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Sábado, 16 de Junho de 2007

Mestre Ambrósio

Ainda sobre o Brasil, aqui deixo uma descoberta daquelas que só acontecem por pura sorte. No tempo em que Évora ainda mantinha o status de cidade cultural, durante o verão, erguia-se um palco na Praça do Giraldo para receber os mais variados artistas. Eram serões bem passados ao relento estrelado quando as calçadas decidiam libertar o calor que se tinha acumulado durante a tarde e quando a brisa teimava em não aparecer. Numa dessas noites subiu ao palco Mestre Ambrósio, uma banda brasileira. O público rendeu-se e mais para o fim o concerto transformou-se em festa: Mestre Ambrósio pediu que as bandas que os tinham precedido os acompanhasse e, com um palco cheio de meio mundo, a música ecoou para lá das horas, as cadeiras foram afastadas e aconteceu um baile. Belos tempos.

 

 

"Mestre Ambrósio é um personagem do Cavalo Marinho, folguedo tradicional da região da Zona da Mata Norte pernambucana. O Cavalo Marinho é uma variante do Bumba-Meu-Boi, uma mistura de encenação, música e dança. Mestre Ambrósio, ou Seu Ambrósio, ou ainda, Ambrósio, é o responsável pela introdução dos diversos personagens que aparecem na brincadeira. É, portanto, um símbolo da diversidade."

Mestre Ambrósio

 

Mestre Ambrósio é constuido (ainda?) por:

Hélder Vasconcelos: percussão, dança e voz

Maurício Alves: percussão, dança e vocal

Mazinho Lima: baixo e vocal

"O" Rocha: percussão e vocal

Sérgio Cassiano: percussão e voz

Siba: guitarra, rabeca e voz

 

  

 

publicado por ikaros às 23:07
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Chico Buarque

Francisco Buarque de Hollanda - 1944

 

O menino bonito do Brasil que parecia prometer, no início da carreira, um retorno às tradições dos grandes espectáculos de variedades, mas que logo desiludiu os apreciadores do regime militar para se tornar num dos principais porta-vozes contra a pobreza e a exclusão. Nas suas mãos, o samba popularucho e a bossa nova dos grandes salões tornaram-se armas fatais, e se isto juntarmos o seu génio poético que, na minha opinião é um dos mais afincado e perspicaz que conheço, obtém-se assim a credibilidade necessária para ser levado muito a sério.

Chico Buarque não granjeou a simpatia dos seus governadores, mas o povo ilibou-o. E isto porque nele não se denota nenhum pingo de vedetismo e consegue, apesar do sucesso, emanar uma simplicidade e uma simpatia contagiante.

Músico, teatrólogo, cantor, escritor e, no seu tempo livre, jogador de futebol (claro). Aqui deixo dois clips do seu trabalho. O primeiro retirado da "Ópera do Malandro" (baseado na "Ópera do Mendigo" de John Gay e na "Ópera dos Três Vintens " de Bertolt Brecht "), e o segundo "Tanto Mar" dedicado à revolução portuguesa do 25 de Abril de 1974.

 

 

Mas aquilo que mais me agrada no trabalho de Chico Buarque são as letras das músicas. Assim incluo mais este clip (amador) para ilustrar o tema "Construção" (um dos meus favoritos).

 

publicado por ikaros às 15:39
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

O Auto da Compadecida

     

Não sei porquê, mas quando ouço falar sobre o Brasil, a última coisa que me vem à cabeça é o samba e as praias de Rio de Janeiro.  Na realidade, estes também não são temas que me atraem muito. O meu primeiro pensamento vira-se para o norte e um bocadinho mais para o interior. Também não me embrenho na floresta amazónica. Fico ali naquela fronteira entre o mundo da natureza e do homem, aquela raia meio selvagem e meio civilizada onde a linha se esbate e acaba por revelar a verdadeira natureza humana.

E nestas pequenas vilas plantadas na orla da grande floresta obscura, nascem as lendas e os mitos que enriquecem o Brasil, infelizmente, muitas das vezes, subaproveitado. Não é que o Brasil não lhe faça proveito. Nós é que estamos demasiados ocupados em sonhar com tangas e caipirinhas . Como se Portugal fosse só fado e touradas...

 

a)  b)  c) 

a) Maria Bonita e o seu grupo de cangaceiros: os corsários a cavalo

b) Saci Prerê, guardião da floresta: o negrinho de uma só perna, cahimbo e gorro vermelho

c) A mula sem cabeça: a mulher que "virou" mula por pecar com um padre (origem Ibérica)

 

E então surge "O Auto da Compadecida". Pelas breves imagens da publicidade na televisão, adivinhei que seria um filme interessante para gravar. Na realidade, era uma série, mas a televisão decidiu passá-la com os episódios seguidos, como se se tratasse de um filme (qualquer coisa como 4 horas de duração). Depois descobri que esta série tinha sido adaptada pela peça de teatro do mesmo nome escrita em 1955 por Ariano Suassuna e que esta é uma das obras de que o Brasil se orgulha mais.

Recentemente foi editado em Portugal em DVD pelo Público, infelizmente incompleto. Duas horas é pouco para tanta trafulhice!

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 E agora, a série que escandelizou o Brasil por apresentar um Jesus Cristo negro:

publicado por ikaros às 20:42
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Sábado, 9 de Junho de 2007

Mano Negra / Manu Chao

 

Nos finais dos anos 80, a música pop parecia-me que estava a definhar. O rock aparvalhava-se com bandas como Europe e Bond Jovi , a música de dança electrónica dava os seus primeiros passos tremidos e pelo meio os tops eram dominados por personagens como Samantha Fox , Duran Duran ,  Aha e Rick Astley . O mundo parecia ter sido contagiado por aquele positivismo ridículo do filme Demolition Man " onde numa sociedade aparentemente pacífica, as pessoas se tornaram insípidas, fúteis e... basta dizer uma palavra: chatas. Sim, declarei guerra aos anos 80 e ao estúpido boneco amarelo do smile e orientei a minha atenção para o subtil movimento neo-punk que estava a surgir na Europa, sobretudo em Espanha. E foi na televisão espanhola que descobri os Mano Negra. Finalmente um pouco de acção:

 

O que me agradou nos Mano Negra foi o facto do seu líder, Manu Chao , ser filho de emigrantes (como eu) e de não se deixar enganar por aquela camada de paz mundial que os nossos dirigentes, tão estrategicamente, colocavam sobre os problemas do planeta. Algo estava para explodir e eu sentia-o também. Quando se olha para o céu temos de saber onde estão os nossos pés. Os Mano Negra juntaram assim um grande número de descontentes e insatisfeitos, mas (e nisto reside o génio) em vez de bater fizeram a festa.

 

 

Anos mais tarde, após e separação dos Mano Negra e já refeito da euforia anti-social que dominara a minha adolescência, estava eu numa loja de discos quando reparei no CD "clandestino" de Manu Chao . Comprei-o, mas com o receio de encontrar um cantor redundante e saudosista pelos tempos passados. Enganei-me. Os temas sociais forma retomados (sobretudo os da emigração) mas desta vez de uma forma mais... requintada . Houve quem lhe apontasse o dedo por ser um dos artistas que motivaram os acontecimentos do 11 de Setembro e o caso dos carros queimados em Paris.

 

Quanto a mim, Manu Chao é umas das figuras do momento que aprecio mais. É inteligente, inconformado e bem disposto. Não lhe atribuo culpa alguma. Quem fechou os olhos que tape agora as orelhas!

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publicado por ikaros às 18:27
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

A bonecada

Hoje em dia, alguns destes brinquedos seriam ilegais, ou então seriam considerados politicamente incorrectos. No entanto, não os acho  muito diferentes dos brinquedos actuais, apesar de não se mexerem sozinhos e  de sermos nós a criar os efeitos sonoros. Lembram-se das chiadeiras acompanhadas dos gafanhotos que invadiam o  tranquilo lar dos nossos pais? As onomatopeias que tinhamos de inventar para fazer explodir um carro!

 

Os bonecos de cowboys e índios - Normalmente de plástico, mal acabados, monocromáticos ou, no caso dos mais refinados, pintados com as cores quase sempre fora do sítio. Era também comum os cavalos perderem facilmente o equilíbrio pelo que, ao fim de algum tempo, as patas acabavam por ficar tortas e deformadas pelos excessivos "Ficas de pé ou o quê?!"

 

 

 

Os pequenos soldados - também monocromáticos mas com pormenores bastante mais requintados. Lembro-me de ficar a olhar espantado para o rigor conseguido nas expressões das caras e nas rugas das roupas. Também me lembro de perder a colecção ao fim de alguns meses. (creio que o aspirador teve um papel crucial para este fim.)

 

 

 

Playmobil - Estes já pertencem ao Século XX. Havia os playmobiles das obras, da polícia, dos cowboys, dos piratas, da enfermagem, das garagens, etc. Quem tinha dúvidas em relação à profissão a seguir no futuro, comprava um playmobil . Mas maldição: o kit vinha sempre sem o cenário incluído. Onde raios iam eles desencantar na televisão aqueles lagos, aquelas cidades e aquele céu?

 

 

 

 

Lego - O amigo da matemática (sim, foi com os legos que aprendi mentamnete a fazer contas de adição e de subtracção). No início, existiam só cubos. Depois vieram as rodas e mais tarde os bonecos. Umas décadas depois apareceu a colecção do espaço. Depois disto, evoluiu de tal maneira que neste momento existem kites onde não é preciso montar quase nada. Outra característica, era o facto das peças mais pequenas desaparecerem aos poucos (talvez os pequenos soldados saibam algo sobre isto).

 

E assim resolvi problemas do forro logico-abstracto, apurei a minha capacidade de leitura e orientação espacial e desenvolvi as relações socioafectivas . Nada mau!

 

publicado por ikaros às 22:29
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

Sexo & Corn Flakes

 

Tive a oportunidade de rever o filme "The Road to Wellville " e desta forma rir-me duma das melhores comédias que existe sobre a evolução da ciência e da medicina. Lembro-me que quando o vi este filme pela primeira vez, fiquei na dúvida se esta seria realmente a verdadeira história de John Harvey Kellogg , o inventor dos corn flakes . Felizmente não. Mas sei que anda por lá perto.

 

Embora não seja adepto de todo o movimento que existe hoje  em dia em torno das aromaterapias, limpezas de auras e spas , a verdade é que o tema atrai-me. Não pelas manifestações recentes, mas pela sua história. Aliás o meu imaginário está intimamente ligado às histórias dos vendedores de banha-de-cobra do velho oeste, os chamados "snake oil sailers ". Estas personagens eram recorrentes nos livros que lia e eram sempre apresentados como sujeitos magrinhos, vestidos de fraque e cartola, cobertos de pó e, sem dúvida, dos melhores actores de palco que jamais existiu.

 

 

a)   b)   c)   d)

a) Lucky Luke e o elixir do Dr. Doxey; b) Dr. Terminus no filme de Walt Disney "Pete's Dragon"; c) Verdadeiro vendedor de banha-da-cobra; d) Remédio para (quase) tudo.

 

Mas nem só de charlatães é feita a história. Os primórdios da verdadeira medicina moderna dos finais do século XIX (assim se poderá chamar?) também é um era riquíssima para a exploração de temas cómicos. As falsas partidas, os dogmas ou o positivismo excessivo das descobertas científicas , também pontuaram a nossa agenda dos disparates. Mas claro, sem experiência não se vai a lado nenhum e não existe um Dr. House em cada esquina!

 

a) b)  c)  d)

a) O clister profissional (a cura para tudo); b) Engenho para evitar "sonhos húmidos" (só para homens) c) Massagem genital para curar a histeria (só para mulheres); d) Máquina para curar a histeria (não vou comentar esta)

-

E agora, um gosto do filme:

 

publicado por ikaros às 22:20
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Sábado, 2 de Junho de 2007

Gabriel Garcia Marquez / Jorge Luís Borges

Realmente, existe na literatura latina um elemento distinto que nos leva a saborear a vida tal como ela é. Creio que se deve ao factor caos. Na realidade temos tendência a escluí-lo da nossa existência, mas quando o aceitamos como parte integrante do mundo este pode torna-se numa força viva bastante criativa.

O sonho é algo que pertence exclusivamente ao imaginário; o desejo é a vontade da sua concretização; e a concretização desta vontade há-de parecer sempre um disparate para os olhos de um terceiros. Porque para este terceiro existe outro sonho, outro desejo e outra forma de agir. E sobre este tabuleiro, Gabriele garcia Marquez coloca as suas personagens e fá-las interagir. E nós, leitores, transformamo-nos em seres omnipresentes, capazes de sentir o sonho de cada indivíduo. Ora entramos no corpo de uma personagem, ora entramos no corpo de outro ou ora planamos no ar a observar a cena ao longe e a questionarmo-nos:  "Mas como raios é que isto descambou?".

A literatura de Gabriel Gacia Marquez, juntamente com a de Jorge Luis Borges, é a melhor que se faz na América do Sul. O primeiro pela honestidade dos carácteres, o segundo pela perversidade do inconsciente. Dois caminhos distintos: do sonho para realidade e da realidade para o sonho.

Surreal.

 

Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez): História de uma família que vive numa aldeia remota da floresta sul américa acompanhada pelos olhos da velha matriarca. Ciganos, circo, militares, bruxas, estranhas doenças e cacau mágico que permite levitar... há aqui de tudo para entreter um século de aborrecimento.

 

 

 

 

 

 

O Outono do Patriarca (Gabriel Garcia Marquez): É ele que mandava. Ele é que mandava o sol por-se, ele é que ditava quantas horas tem o dia, ele é que vendeu o mar em lotes para os Estados Unidos, ele é que tem centenas de filhos, um testículo inchado do tamanho de uma maçã e mais de cem anos de existência. Foi encontrado morto no luxuoso palácio onde as vacas ruminam e os abutres pululam. Mas estará ele realmente morto? Afinal de contas, ele já pregou esta partida há muito tempo atrás...

 

 

 

 

 

Ficções (Jorge Luís Borges): Série de contos. O primeiro: Falta uma página nesta enciclopédia. Sim: numa anterior publicação estava aqui a descrição de "Orbis Tertius": uma sociedade secreta e todo o conteúdo sobre a sua história, cultura, estudos linguísticos e epistemológicos e onde está fortemente patente o idealismo subjetivo de George Berkley.

publicado por ikaros às 15:09
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2007

La Haine

"Heard about the guywho fell off a skyscraper? On his way down past each floor, he kept saying
to reassure himself: "So far so good... "so far so good..." How you fall doesn't matter.
It's how you land!"

 

 

10 anos antes disto:

 

houve isto:

 

Se a arte serve mais do que para vender pipocas.

publicado por ikaros às 17:35
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