Quinta-feira, 31 de Maio de 2007

Jacques Brel

Jacques Brel   1929 - 1978

 

"Demasiado feio" diziam uns, "Fala com sotaque" diziam outros. Nada parecia ajudar o Jacky nas suas primeiras incursões na televisão francesa. O que é certo, é que quando se tem talento não importa ter cara de cavalo ou ter um discurso das brenhas. No entanto seria preciso uma década (toda a década de 50) para Brel poder enfim repartir o palco com o mais célebre cantor francês da altura Charles Aznavour .

No início dos anos 60, Brel era já considerado um marco incontornável da cultura francófona ao ponto de ser confundido como personalidade francesa (Não, ele era Belga e tinha orgulho nisso). E o mundo reparou nele. Não só pelas canções, mas também  pelas representações. Cada música de Brel é uma história que tem de ser representada através de gestos, voz e postura. Esta forma de cantar, meio ópera meio burlesco, atraiu a atenção de vários artistas que procuravam novas formas de estar em palco: Sérgio Godinho, Chico Buarque, David Bowie , Nick Cave, Nina Hagen só para citar alguns.

 

              

 

Infeliz com as mulheres, sufocado pela fama e abatido pelo cancro, Jacques Brel refugia-se nas Ilhas Marquesas (Hiva Oa ), onde morre em 1978. Encontra-se sepultado na ilha junto à campa de Gauguin.

 

Duas músicas: "Les Flamandes" (crítico e corrosivo) e "Mon Enfance" (a poesia acima de tudo).

o

publicado por ikaros às 18:06
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

Jean-Pierre Jeunet

Jean-Pierre Jeunet - 1953

 

Para além de óptimo realizador, este homem constrói mitos. Dois filmes marcaram-me profundamente: "Delicatessen" e "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". E note-se que em cada um deles nem a imagem, nem a banda sonora foi preterida. Perfeito.

 

   

 

Delicatessen: Num futuro próximo, uma França destruída por uma guerra ou algum desastre ecológico, tenta viver o seu dia-a-dia. É o que fazem os inquilinos de um velho edifício cujo proprietário é o dono do talho do rés-do-chão. Todos passam fome e fazem um pouco de tudo para conseguir comprar um bom naco de carne ao seu senhorio. No entanto, um pequeno apartamento no edifício permanece sempre sem inquilino. Quer dizer, eles bem que se instalam lá, mas desaparecem misteriosamente passados alguns dias. O que toda a gente sabe, é que no dia seguinte há sempre carne fresca à venda. 

 

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain: Amélie Poulain não é uma frustrada, apenas acredita que as pessoas são capazes de conseguir mais. Na realidade, não existem frustrados ou pessoas más, apenas pessoas que necessitam de um empurrão. Assim, Amelie assume-se como o arauto da felicidade, o anjo-da-guarda que ninguém teve. Mas e ela? Poderá uma pessoa vazia ajudar os outros?

o

Trailers de "Delicatessen" e "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" 

publicado por ikaros às 21:07
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 29 de Maio de 2007

Marvel

Stan Lee apresenta:

OS HERÓIS MARVEL

 

Num belo um verão, foi-me dado o privilégio de escolher uma revista de banda desenhada para poder levar para a praia. Após uma pesquisa acérrima pelas estantes da livraria, deparei-me com um "Pacotão Marvel": promoção - 3 revistas a preço reduzido. O Incrível Hulk Nº 12, 13 e 14. Até então os super-heróis não contavam na minha lista de preferências, mas visto o preço aproveitei. Na primeira leitura fiquei fascinado: os desenhos de Sal Buscema pareciam-me os mais perfeitos que tinha visto até então, e as histórias eram mais complexas e realistas do que esperava. A partir deste momento, foi-se o descanso da minha mesada.

 

   

Duas revistas: a primeira que comprei (O Incrível Hulk nº 12)

e a minha preferida (Heróis da TV nº 71)

 

Passei anos a coleccionar as diversas revistas e assim acompanhei a saga dos X-men e o fatal destino de Fenix, o desfecho trágico da história entre o Demolidor e Elektra, a conturbada vida do Homem-aranha e os conflitos internos do Capitão América sobre a diferença entre justiça e lei. Outros vieram pelo caminho, mas são demasiados para os citar aqui.. Pelo meio estudei ao pormenor as artes de Jack Kirby, Jonh Romita JR., Mike Zeck, John Buscema, John Byrne, etc. Estes foram os meus primeiros mestres e a eles devo parte do meu desenvolvimento na área do desenho.

 

            

O trabalho de Frank Miller, John Byrne e Sal Buscema

 

Mais tarde, a Marvel introduziu um novo conceito: as Graphic Novels. Foi também o princípio do fim: os artistas queriam criar trabalhos mais independentes e aos poucos personalizaram os heróis ao ponto de os retirar dos contextos em que estavam inseridos. No entanto, as Graphic Novels foi uma revolução no que diz respeito à explosão criativa contida nos moldes muito rígidos de uma editora. Os seus impulsionadores foram Frank Miller e Bill Sienkiewicz. Este último já andava na minha mira devido ao trabalho desenvolvido com os heróis Manto e Adaga. (Creio que estes personagens serão os próximos a serem lançados no cinema).

 

  

A primeira Graphic Novel e a arte de Bill Sienkiewicz

 

De vez em quando ainda compro uma revista. Só para ver o que se passa. Mas eu já estou noutra.

publicado por ikaros às 22:06
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

Penguin Cafe Orchestra

 

Em dias como o de hoje, em que me sinto particularmente cansado , recordo um disco vinil que há muitos anos comprei: Signs of Life " dos Penguin Cafe Orchestra .

Fazendo combinações entre a música clássica, a música folclórica francesa e a música experimental , os Penguin Cafe Orchestra cedo obtiveram o reconhecimento do público e da crítica. Ao conseguir agradar artistas eruditos e artistas populares ao mesmo tempo, o grupo obteve assim o seu lugar privilegiado para vaguear nas mais diversas salas de espectáculos e inserir-se nos mais variados projectos musicais.

O grupo surgiu em 1976 graças ao seu criador Simon Jeffes e lançou o seu primeiro disco no mesmo ano pela editora de Brian Eno . Cessou as funções com a morte do seu criador em 1997.

 

 

 

 

Site oficial: http://www.penguincafe.com/

publicado por ikaros às 16:47
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

The Cure

The Cure

Os The Cure formaram-se em 1976. Três jovens rapazes Robert Smith , Michael Dempsey e  Laurence Lol " Tolhurst ) juntaram-se ao movimento pós-punk e lançaram em 1979 o primeiro álbum Three Imaginary Boys ". O início foi duro. Até ao momento saltaram de editora em editora, de promessas em promessas tudo porque todos se interessavam mais pelo look da banda do que pela música. Assim, na capa do primeiro álbum , decidiram excluir-se. Em vez das suas fotos aparece um frigorífico, um candeeiro e um aspiardor. Esta má experiência fez com que evitassem retratos nas capas dos seus primeiros  álbuns , mas depois o receio passou.

 

 

A capa do 1º álbum por oposição à imagem do grupo

 

Entretanto mudam de onda e iniciam-se num som mais enigmático e introspectivo. Com Seveteen Seconds " os The Cure assumem-se como uns dos precursores do rock gótico. A banda  assume agora uma postura mais experimentalista (q.b.) e marca a sua posição no mercado musical alternativo.

Por volta de 1982 Robert Smith começa a sua cooperação com Siouxies and the Banshes . Gallup abandona o grupo e a banda anda à deriva. Parry (que entretanto substituira Dempsey ) convence Robert Smith a iniciar algumas gravações e sem muita convicção este aceita. Sai o Album Japanese Whispers " (porque deveria ter sido editado apenas no Japão. No entanto, devido à enorme aceitação do público por este som mais dançável e alegre, Smith decide voltar a por as mãos na banda. Ao longo dos anos 80 a banda foi mudando de elementos e foi conhecendo alguns sucessos até que, com a saída de Kiss Kiss Kiss ", a crítica torna-se unânime : os The Cure são agora uma instituição. O grupo faz agora proveito da sua imagem, abraçam a produção de telediscos e são amplamente divulgados nos média.

Em 1989 gravam o album Disitegration " voltando de novo à época gótica mas de uma forma mais pessoal e mais matura. E depois...

 

 

E depois, de um passado inovador e energético encontram-se agora às apalpadelas num mundo pop que já não é deles e insistindo na cópia exaustiva da imagem do já foram. Envelheceram sem maturidade. A uma determinada altura voltaram para trás. O trabalho seguinte, "Wish", foi o desejo de voltar atrás, para os gloriosos anos 80, mas agora fora de tempo, ultrapassados e sem sentido. Poderia ter sido apenas um erro, mas insistiram. Até hoje.

 

Deixo aqui duas épocas... as melhores.

 

 
publicado por ikaros às 23:45
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quinta-feira, 17 de Maio de 2007

Milan Kundera (A Insustentável Leveza do Ser)

 

Milan Kundera - 1929

 

"Sou-me."

Creio que foi Fernando Pessoa que o disse.

Neste romance de Milan Kundera existem várias formas de ser: umas mais leves e outras mais pesadas. Mais pesadas porque não se é só. É-se acompanhado, dependente de outro. Arrastamos outra entidade que tem vontade própria, mesmo que as suas necessidades sejam comuns às nossas. E é-se leve porque somos independentes, descomprometidos. Porque se é sozinho e porque somos livres. Se Sartres  descobriu que o inferno é os outros, Kundera orientou o seu pensamento para a via positiva: a liberdade é cada um de nós só, sem laços e sem justificações.

 

Tomas, um jovem médico de sucesso, vive despreocupadamente da mesma forma que ama. Encontra-se ocasionalmente com a artista Sabina. Esta é como Tomás e não lhe pede nada em troca. Apenas que ele esteja ali quando é necessário. Um dia, ao deslocar-se para a província, Tomas conhece Tereza. Fatalmente esta acaba por ir visitá-lo à sua casa e dorme com ele. Mas nada acontece. Tomás estranha e receia estar apaixonado. O receio logo é esquecido quando Tereza aparece pouco depois à sua porta com as malas nas mãos preparada para uma vida a dois. Aqui começam o arrependimento, o medo, a compaixão, o enfado, as desculpas, o perdão e tudo o resto que torna a vida pesada.

 

 

 

Nasceu em Brno na antiga Checoslováquia. Durante a infância estudou musicologia, completou a escola secundária no curso de Literatura e Estática e formou-se na Academia de Artes Performativas de Praga no curso de Cinema. Durante a juventude entrou e saiu diversas vezes do partido comunista Checo. Aquando da Primavera de Praga de 1968, Kundera mostrou-se reservado com os acontecimento e opôs-se à ocupação da Checoslováquia pelo Exército Russo. Em 1975 abandona o seu país para ir viver para França, tornando-se cidadão Francês em 1980.

 

"A Insustentável Leveza do Ser". O filme de Philip Kaufman  - 1988

 

 

publicado por ikaros às 15:57
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 11 de Maio de 2007

Richard Scarry

Richard McClure Scarry

1919 - 1994

 

Dos muitos ilustradores de livros infantis que povoaram as estantes da minha escola e do meu quarto, devo confessar que Richard Scarry foi o que mais me fascinou. O mundo animal de traços antropomorficos arrumaram os personagens da Disney a um canto, e a vida mundana (tão próxima da minha) permitia-me, sem sombra de dúvidas, incluí-los no meu rol de amigos. Para além disso, o universo de Scarry era caracterizado como um convívio saudável entre diversas espécies (raças) que muitas vezes, devido a essa diferença, acabava por ser o tema de uma história. Mas para acima de tudo, com respeito à diferença.

                                               

 

E desta lembrança deixo aqui uma reflexão. Ao observar muitas das ilustrações de livros infantis que se fazem hoje em dia (para idades entre os seis e dez anos), não deixo de reparar que predomina a simplicidade da composição. Ou seja, o tema foca-se num personagem específico em detrimento do fundo que o envolve. No entanto, livros que apresentem um emaranhado de acções e acontecimentos em paralelo acabam por ir parar com mais rapidez às mãos de uma criança. Eu ficava horas a fio observando os infimos pormenores de uma página repleta de confusões, encontrões, trambolhões e desencontros.

 

 

Que parafernália!

 

Imagens retiradas do site: http://www.rotten.com/library/bio/authors/richard-scarry/

publicado por ikaros às 10:18
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Domingo, 6 de Maio de 2007

Monty Pythons

AND NOW , SOMETHING COMPLETELY DIFFERENT ...

 

 

Quando os jovens britânicos Eric Idle , Graham Chapman , John Cleese , Michael Palin , Terry Gilliam e Terry Jones se juntaram para criar o grupo cómico The Monty Pythons ",  estavam longe de imaginar que os seus sketches iriam revolucionar o mundo da comédia. Apareceram na televisão pela primeira vez no dia 5 de Outubro de 1969 com o programa Monty Python Flying Circus " com a fabulosa marcha composta por J. P. Sousa. Num curto período de tempo conquistaram as terras de sua majestade  e pouco depois a Europa e os Estados Unidos da América.

 

  

 

O seu impacto no mundo da comédia é comparado por muitos como o impacto que os Beatles tiveram na música pop. Após Monty Python , nada mais foi o mesmo. O humor negro britânico, a recorrência  a personalidades do mundo erudito, a abordagem  sem sentido dos grandes temas do discurso filosófico e a irreverência de personagens da classes média-baixa Inglesa, fizeram dos seus números peças memoráveis para mundo da representação.

 

A série passou no segundo canal por diversas vezes (sempre em horário absurdo). Para quem gosta de humor requintado sem peneiras, aqui estão eles:

 

 

 

Entretanto apareceram ainda os filmes: Monty Python and the Holy Grail, Life of Brian, The Meaning of Life e Erik, the Viking. Para referir a importância das canções, decidi escolher dois trechos musicais dos filmes  "The Meaning of Life" e "Life of Brian".

 

 

publicado por ikaros às 16:03
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

.Os últimos 50:

. Pequena história infantil...

. Voltei com um novo espíri...

. Pequena história infantil...

. último post

. O cubo

. 11 de Abril

. A conspiração francesa

. Orlando

. Freya Stark

. Christiane F.

. A CENSURA

. O culto da cultura

. Forguette Mi Note

. Os profetas da desgraça

. Sidarta - Hermann Hesse

. Glam Rock

. Dogville

. Emir Kusturica

. Antoni Gaudi

. Italo Calvino

. Beck

. Papa Luna

. Terry Gilliam

. Friedrich Nietzsche

. Mestre Ambrósio

. Chico Buarque

. O Auto da Compadecida

. Mano Negra / Manu Chao

. A bonecada

. Sexo & Corn Flakes

. Gabriel Garcia Marquez / ...

. La Haine

. Jacques Brel

. Jean-Pierre Jeunet

. Marvel

. Penguin Cafe Orchestra

. The Cure

. Milan Kundera (A Insusten...

. Richard Scarry

. Monty Pythons

. Jogos para a carola

. Dark Cabaret

. Albert Camus

. Os heróis da TV

. Jan Saudek

. Stand by me

. A guerra do fogo

. Margarida e o Mestre

. Hedningarna

. Chapi Chapo

.A lista toda

Abril 2008 Março 2008 Fevereiro 2008 Janeiro 2008 Dezembro 2007 Novembro 2007 Julho 2007 Junho 2007 Maio 2007 Abril 2007 Março 2007

.links

.visitante nº

Web Counters

 

  

blogs SAPO

.subscrever feeds