Terça-feira, 27 de Março de 2007

Margarida e o Mestre

Mikhail Bulgakov

1891 - 1940

O diabo chega a Moscovo seguido do seu séquito infernal. Sob o nome de Woland o mágico, ele e os seus companheiros  Fagot , Behemot o gato, Azazzello , Hella e Abadonna estão prestes a transformar a capital Russa numa verdadeira cidade de loucos. Porquê? Primeiro porque é o demónio e tem poder para tal, e depois porque os intelectuais, nouveaus-riches , tecnocratas, e afins tornaram-se cépticos e ateus. Claro: se Deus não existe como poderá existir o diabo? E depois porque quer dar um baile às almas penadas na Sexta-feira Santa. Mas para isso necessita de uma rainha: Margarida. Esta, perdida de amores por um poeta incompreendido que se auto-apelida "o Mestre", vive desconsolada na sua bela mansão desde que o seu amor fugiu. Fugiu porque deu cabo da sua vida: escreveu um romance sobre  Pôncio Pilatos e Yeshua Ha-Notsri (Jesus) e os seus doutos colegas escritores não gostaram nem do assunto tratado nem do conteúdo. A única forma de Woland convencer Margarida a ir ao baile é resgatar o Mestre que está internado num hospício.

"Margarida e o Mestre" afasta-se muito dos romances a que a literatura russa nos tem habituado. Foi escrito ainda sob o jugo de Estaline, demorou mais de uma década a ser concebido e só foi foi finalizado após a morte do autor por Yelena Shilovskaya, a sua mulher. Até lá, Bugalkovf foi perseguido, preso e censurado inúmeras vezes  fazendo com que muitos dos manuscritos originais se tenham perdido ou destruído. O romance só viria a ver a luz do dia em 1967.

É uma comédia ou uma tragédia? Uma fábula metafísica ou uma história de amor? Ou bem uma simples crítica politico-social? Sim, é isto tudo. Afinal de contas, ainda são muitas páginas.

Colecção Mil Folhas
PÚBLICO

"O Mestre e Margarida" influenciou diversos artistas como: Salam Rushdie em "Os versículos satânicos"; os Rolling Stones em "Sympathy for the devil"; os Pearl Jam em "Pilate"; os Franz Ferdinand em "Love and destroy", York Höller na ópera "Der Meister und Margarita" e na banda desenhada de Christophe Bec e Richard Marazano em "Zero absolu".

 

E já agora, também este filme (desculpem a má qualidade):

publicado por ikaros às 18:20
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Sexta-feira, 23 de Março de 2007

Hedningarna

Vieram do frio. Da Suécia. Penetraram no gélido clima do seu país e aventuraram-se na densa e escura floresta escandinava assombrada pelos fantasmas dos seus antepassados. Procuraram lendas, histórias e crenças antigas e acabaram por despertar bruxas, monstros e almas esquecidas. Por fim, regressaram para cantar. Aqueles que os ouviram, dançaram.

À sua música juntaram-lhe o cântico dos índios da América do Norte, o esplendor das noites encantadas  do norte de África e o frenesim dos festejos asiáticos. Depois acrescentaram-lhe bandolins, alaúdes, didgeridoos. Ligaram o violino ao pedal de distorção, deram pontapés à gaita de foles e, por entre chiadeiras e trovoadas adicionaram mais duas vozes femininas. Estas mantiveram-se fiéis ao canto Sami: o canto da sua nação. E no final, tudo resultou estranhamente Sueco.

Para quem os viu ao vivo, foi um espectáculo surpreendente, para quem ainda não viu... bem... só vendo.

Hipnótico.

Pagão.

Intemporal.

 Hedningarna

Hållbus Totte Mattson, Anders Stake e Björn Tollin

 

Algumas amostras:

 

Tuuli   Suet Ulvo   Kruspolska   Tina Vieri   Chicago  Ukkonen

Dolkaren  Vettoi  Viktorin  Navdilfasa  Fulvalsen  Vottikaalina

Juopolle Joutunut  Gorrlaus  Hoglorfen  Neidon Laulo  Skane

Graucholorfen   Bjornlaten

 

Amostras retiradas do site: http://shopping.yahoo.com/p:Hedningarna:1927128535

publicado por ikaros às 16:34
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Quinta-feira, 22 de Março de 2007

Chapi Chapo

Série animada criada em 1974 por Italo Bettiol e Stephano Lonati . Isto, quando a educação era levada a sério. Mais do  que números e estatísticas, vivia-se numa época em que se apostava fortemente num ensino abrangente e menos restrito à esfera escolar institucional. Impulsionado pelos ideais de Maio de 68 e pelas políticas sociais que daí resultaram, a França lançou-se na produção de pequenas animações para a educação dos mais novos. Umas delas são estes pequenos episódios de Chapi Chapo cujos personagens são duas crianças que são confrontados com um problema, o qual deverá ser resolvido. Entre o imaginário e o abstraccionismo, os nossos personagens passeiam por espaços fantásticos sempre acompanhados pela divertida música composta por  François de Roubaix .

Depois vieram as televisões privadas, os Power Rangers e os toques polifónicos. Mas vá lá: ainda temos o Zigue Zague no segundo canal.  Uma coisa é certa: passei os primeiros anos da minha vida com Chapi Chapo e nunca tive problemas com a matemática. Talvez o meu professor fosse excepcional...

 

LETRA DA MÚSICA

Chapi Chapo / Patapo / Chapo chapi / Patapi / Biribibi / Rabada dada
(dada dada !!)

Pacha pacho / Pitipo / Pacho pacha / Pitipa / Biribibirabadadida
(risos)

Refrão:
   La, lala lala lalaa lala
   La, lala lala lalaa
   La lalala lala


música mp3 aqui
publicado por ikaros às 16:33
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Sexta-feira, 16 de Março de 2007

Coca Cola

A HISTÓRIA

Apareceu pela primeira vez ao público em 1886 sob o nome de  Pemberton 's French Wine Coca. O seu inventor,  John S. Pemberton , teve então a brilhante ideia de se basear na bebida produzida pelo Europeu  Angelo Mariani para criar um xarope revigorante e vendê-lo nas farmácias. O seu doce extracto de noz de cola, as capacidades estimulantes da folha de coca e a leveza da água gaseificada, conferiam a este remédio propriedades miraculosas. Mais tarde, substituiu a folha de coca pela menos controversa e mais legal cafeína. No entanto decidiu manter o sabor original conservando a noz de cola e as folhas de coca agora já lavadas, desintoxicadas e domesticadas.

 

Em 1887 a Asa Griggs Candler compra os direitos e começa então a verdadeira expansão da Coca Cola. Sai da farmácia e vai para a rua. Em 1894 surge a primeira garrafa e ao fim de poucos anos, a América rende-se ao novo refresco. Por incrível que pareça, o principal motor para a sua internacionalização foi a Segunda Guerra Mundial. Os soldados americanos, longe do seu país, pediam Coca Cola para matar a sede e as saudades de casa aproveitando o momento para repartir um copo com os seus amigos aliados. Quando a guerra acabou, todos queriam provar o maravilhoso champanhe americano.

 

A Pepsi Cola existia já desde 1890 e fez a sua tímida caminhada ao longo dos anos à sombra do seu grande irmão. Crê-se que o nome desta deriva da palavra "episcopal" ou então de Pep-Kola (Pep era um nome sonante para uma gazosa). O facto do nome estar relacionado com a enzima pepsina ainda está para provar, embora o seu criador Caleb Bradham afirmasse que a sua invenção tinha dons curativos para os problemas do estômago. Então, durante os anos 80 decide rivalizar a sério com a Coca Cola através de publicidades agressivas e impiedosas. Lembram-se dos anúncios: "Temos aqui dois refrigerantes. Vamos pedir a uma pessoa para vendar os olhos e dizer-nos qual o que sabe melhor."? Destronada e desorientada a Coca Cola faz, em 1985, o inesperado: muda a fórmula. Fatalidade! As pessoas manifestam-se, os tablóides gozam com a situação e surge a organização Old Cola Drinkers of  America que ameaça processar a companhia. Os directores e subdirectores da companhia remetem as culpas uns nos outros e, em Julho do mesmo ano, o então director  Donald Keough relança a antiga fórmula sob o nome de Coca Cola Classic .

Até hoje, tudo permanece na mesma. Tal como deve ser.

O DESIGN E A ARTE

Da primeira à última garrafa

"Green Coca Cola Bottles"  Andy Wharol

 UMA RECEITA

Ingredientes: 2 peitos frango, uma cebola grande, ketchup, Coca Cola, sal e pimenta.

Cortar os peitos de frangos aos cubos, temperar com sal e pimenta e colocar numa terrina oleada. Cortar a cebola em pequenos pedaços e espalhar sobre os peitos de frango. Numa taça, juntar um copo de Coca Cola e meio copo de Ketchup. Mexer até obter um molho homogéneo. Deitar o molho sobre o frango e levar a terrina ao forno a 250º durante 40 minutos. Acompanhar com batatas fritas.

E pronto: Junk food caseiro com molho agridoce. 

 UM FILME

 "One, Twoo, Three" (1961) de Billy Wilder com James Cagney

publicado por ikaros às 21:38
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Quinta-feira, 15 de Março de 2007

Brighton / Quadrophenia

 

Por vezes a ignorância joga mesmo em nosso favor.

Quando decidi visitar Brighton, fi-lo porque a localidade estava ali perto. Por mais razão nenhuma. Quando me informaram que esta cidade era o palco de encontro da comunidade gay e de concentrações skin heads , a pacata jornada que tinha programado começou a tomar os contornos de uma peregrinação. Quando lá cheguei não me apercebi de qualquer festividade, no entanto a cidade ficar-me-ia cravada na memória até hoje.

Aquilo que mais me marcou foi o passeio junto à praia: as fachadas das casas vitorianas a formarem uma muralha infinita paralela à marginal Art Nouveau , a praia de cascalho e os enormes pontões de madeira que avançam pelo mar dentro suportando inumeráveis restaurantes, feiras e casas de jogos. Mais para o interior, a cidade rústica de ruas estreitas povoadas de alfarrabistas e lojas de antiguidade. E, não sabendo como, encontrei-me num bairro repleto de lojas incomuns: a loja especializada em produtos constituídos por caveiras, a loja dos produtos francófonos, a loja do Tintin , a loja das missangas, etc. Em todas as paredes posters fotocopiados denunciando as experiências cruéis feitas em animais de laboratório, ou apelando à movimentação neo-nazis , ou divulgando bandas de rock e de tudo mais um pouco.

Saí de lá com a sensação que Brighton era diferente às restantes cidades Inglesas. Pela primeira vez, a minha atenção não tinha sido atraída para uma catedral ou para um dos typical monumento das "Cross Roads ". A minha visão ficou mais junto ao chão. Mais às pessoas.

 

Ao ver o filme Quadophenia, apercebi-me que Brighton há muito que cultiva a fatalidade de ser um ponto quente no confronto das diversas culturas urbanas . O filme foca um dos incidentes ocorridos entre Mods e Rockers em 1964 e nele  surge, claro está, as ruas de Brighton. Ainda hoje esta cidade é um local de peregrinação para todos os novos e velhos Mods. E a estreita ruela aconchegada continua a fazer o seu efeito. Apesar dos novos inquilinos...

O filme foi realizado por Franc Roddam a partir da ópera rock dos The Who . Um filme divertido, um documentário instrutivo, um pedaço de história sem dúvida.

 

  

 

A não perder: uma das primeiras representações de Sting. (Valha-me Deus!)  

publicado por ikaros às 14:21
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Sábado, 10 de Março de 2007

William Burroughs

1914 - 1997

William S. Burroughs nasceu em St . Louis , no Missouri, num contexto familiar modestamente privilegiado e respeitado. O seu avô, a figura central deste universo e fundador da Burroughs Corporation , era um homem que ainda se recordava do terror das últimas investidas dos índias feitas aos colonos. Queriam algo mais americano? Mas apesar disto, William não foi propriamente o filho exemplar, na realidade os sarilhos em que frequentemente se envolvia, davam-lhe gozo. E assim foi vivendo o resto da sua vida.

Após ter passado por Harvard, completando o curso de antropologia, e depois por Viena, para estudar medicina, logo regressou aos EUA devido à pressão que o movimento Nazi começava então a exercer na Europa. Durante este curto período, William já tinha assumido abertamente a sua homossexualidade e já estava bastante entranhado na cultura do submundo. De volta ao seu país,  foi internado num hospício após ter mutilado o seu dedo mindinho da mão esquerda para impressionar o seu companheiro da altura. Todos estes cadastros fizeram com que em 1940, o exército dos EUA o "dispensasse" de servir na 2ª Guerra Mundial. Foi para Nova York e aí decidiu aceitar todo o tipo de emprego que lhe aparecesse à frente: exterminador, dactilógrafo , etc. Tudo pela experiência. E pela experiência relacionou-se, também, com todo o tipo de artistas rejeitados (entre eles Jack Kerouac ), intelectuais, homossexuais, vagabundos, etc. O seu estilo vida era, literalmente, um ensaio à promiscuidade e ao consumo de substâncias ilícitas. Foi nesta altura que a sua visão do mundo começou a tomar contornos bem definidos. A burguesia e todos os costumes institucionalizados enojavam-no.

Neste círculo de amizades, William começou a viver com Joan Vollmer, a mulher da sua vida. Mas a morfina e a heroína falavam mais alto.  Entre sarilhos e detenções Joan acabaria por ser internada no hospício devido às repetidas psicoses. Após este episódio, o casal fugiu para o México para escapar a uma acusação de tráfico de droga e em 1951, William mata Joan com um tiro na cabeça quando, bêbados, decidiram brincar ao jogo de William Tell . Num julgamento um pouco "peculiar", William deixou o México e partiu para a África do Norte.

Diga-se de passagem que foi nesta altura que começaram a ser produzidos aquelas que viriam a ser as suas melhores obras literárias.

 A escolha da África do Norte não foi inocente. Na realidade,  o destino foi-lhe sugerido porque aí tanto a droga como a prostituição masculina eram fáceis de encontrar e eram também baratas.

Em 1959 mudou-se definitivamente para Paris e aí a sua arte começou a ser levada a sério. Nessa altura, a Europa era ávida pela cultura americana e Burrroughs era o seu novo representante. As suas ideias sobre a arte e a escrita divulgaram-se rapidamente. Uma delas foi a famosa técnica dos "cut up " que consistia em cortar um ou vários textos em diferentes partes e voltar a juntá-lo ao acaso. Esta herança dadaísta era aquilo que faltava para fazer florescer a nova geração beatnick . Foi requisitado por todos os novos artistas e intelectuais do momento:. Andy Warhol , os Rolling Stones , The Clash, Tom Waits... foram alguns que recorreram directamente à fonte Burroughs .

Burroughs & Patti Smith

Finalmente reconhecido, William pôde então fechar o ciclo da sua existência. Não em paz como um velho sábio, mas da única forma como soube viver. William Burroughs morreu em 1997 aos 83 anos de idade. Nunca se livrou do vício da heroína.

         

Todos os livros de Burroughs têm um forte traço autobiográfico.

A sua compreensão não é fácil. Pelo menos para quem procura um sentido...

"Cidades da noite vermelha" é um dos meus romances preferidos. Vários mundos, várias épocas, um surto virulento desconhecido que surge na América do Sul, uma conspiração pirata nas Caraíbas para dominar o mundo através da proliferação de drogas, cidades extraterrestres inventoras de doenças... Tudo contado ora como um conto, ora através de "cut ups". Cabe a nós juntar as peças ou seguir a nova narrativa.

publicado por ikaros às 21:39
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Tom Waits

Thomas Alan Waits

 

Inqualificável.

Há muitas coisas que se podem dizer sobre ele e no entanto nada parece defini-lo. Tom Waits também nunca ajuda. As suas entrevistas acabam sempre por se transformar num turbilhão de histórias mirabolantes,  que mesmo ao serem verdadeiras soam a fantasia. Para além de músico também escreve e representa. Actuou como actor em diversos filmes sempre, segundo ele, para interpretar personagens loucas. 

Talvez ele seja mesmo uma invenção, mas é o seu trabalho. E fá-lo bem.

 

O que mais me surpreendo em Tom Waits , é que para ele não existe separação entre o palco e a plateia. Quando o número acaba para nós, ele continua a jogar o papel. Talvez  ele seja mesmo assim.

Há algo que costumo dizer: enquanto todos a maior parte dos artistas têm a tendência em aperfeiçoar a técnica, de um modo mais afinado, requintado e racional, Waits , com o avançar da idade, tornou-se mais instintivo , experimentalista e irreverente. Até onde vai parar? Não sei. Mas sei que o último álbum ("Orphans") está aí e, segundo ele, é uma compilação de temas esquecidos que tinham caído para trás de um armário.

Tinha de ser... 

publicado por ikaros às 17:11
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Cluedo

Quem matou Dr. Black?

Seis suspeitos, seis armas e uma mansão com nove divisões. Cabe-nos a nós descobrir quem, como e onde se realizou o crime, quer por intuição ou simplesmente através do bluff.

Jogo de tabuleiro criado em 1948 por  Anthony E. Pratt, Inglaterra. Os direitos pertencem hoje à companhia Hasbro, EUA.

Divertimento garantido. Quantos mais a jogar, melhor!

 

          

Jogue o jogo on-line...                   ...ou veja o filme...

 

 

...ou visite o site:

http://www.cluedo.com/

publicado por ikaros às 16:02
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Sexta-feira, 9 de Março de 2007

Umberto Eco (O pêndulo de Foucault)

Esqueçam o Código da Vinci . A sério. 

"O  pêndulo de Foucault " é uma obra como deve ser. Aqui, os personagens pensam, a trama é credível, e para além disto, está muito bem escrita. É claro que os capítulos são mais extensos, as letras são mais pequenas e a informação não nos é dada de bandeja. Talvez por isso não criou o mesmo furor que o "código". Para além disto, nem Cristo nem Maria Madalena são protagonistas.

Umberto Eco tem uma linguagem mais requintada  e os temas que aborda neste romance vão desde os rituais pagãos brasileiros, aos assustadores "assassinos" da antiga Pérsia passando pelas convulsões sociais de Itália nos meados dos anos 60 e conseguindo ainda abrir capítulos para abordar o seu encanto sobre a informática. Também não explica. Por exemplo: a sua breve referência a Combray deixa os mais desatentos fora de todo o significado Proustiano e, com ela, toda e qualquer abordagem psicanalítica que daí possa advir. Azar.

 

O tema é os templários, mas a abordagem não deixa de ser irónica. Aliás, o final é bastante revelador no que diz respeito ao ponto a que uma pessoa é capaz de chegar para poder viver um sonho. É um romance com pés e cabeça.

Nada do que foi dito no Código da Vinci ficou aqui à parte mas, talvez por ser de Eco e por estar impresso com letras pequeninas, não incomodou tanto o mundo Cristão. E isto pode-se aplicar também ao seu outro grande romance "O nome da rosa". Ou talvez a máquina comercial, na altura, não estava ainda bem afinada. Assim seja...

 

 Umberto Eco

(Alexandria, 5 de Janeiro de 1932)

É um escritor, filósofo e linguista italiano. Eco é mundialmente reputado pelos seus diversos ensaios universitários sobre a semiótica, a estética medieval, a comunicação de massa, a linguística e a filosofia. É, também, titular da cadeira de Semiótica e director da Escola Superior de Ciências Humanas na Universidade de Bolonha, além de colaborador em diversos periódicos académicos , colunista da revista semanal italiana L'Espresso e professor honoris causa em diversas universidades ao redor do mundo. Eco é, ainda, notório escritor de romances, entre os quais O nome da rosa e O pêndulo de Foucault .

Fonte wikipédia

publicado por ikaros às 14:46
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Quinta-feira, 8 de Março de 2007

Jacques Tati

 

1909 - 1982

 

Jacques Tatischeff . Filhe de mãe francesa e de pai russo. Reconhecido como um bom atleta quando jovem, logo se dedicou ao cinema. As suas primeiras curtas metragens eram essencialmente comédias sobre os costumes e as gentes da França profunda. Tati era uma pessoa alta, magra e activa e, sendo ele também actor dos seus filmes, cedo chamou a atenção do público. Juntou-se a isso o facto de saber criar situações cómicas em qualquer momento e circunstância.

Nos finais dos anos 60  notificou-se como um dos impulsionadores do cinema neo-realista europeu. Embora os seus filmes continuassem a focar o quotidiano e o homem comum, os cenários mudariam agora para a grande cidade com novos palcos e novos actores. O tema adaptou-se e em vez de focar as personagens da aldeia, Tati encarregou-se em contemplar a tecnologia que avança mais rápida do que o homem, o formalismo desnecessário do primeiro encontro e sempre, mas sempre, a aparência forçada.

Tati é um personagem como Charlot : aparece nos filmes vestido sempre da mesma forma e sempre com a mesma personalidade desajustada. Um homem cujo dia a dia do homem comum lhe é estranho.

Jacques Tati morreu falido e longe do cinema. A comédia paga-se caro...

 

Excerto do filme "Playtime":

Divirta-se neste site:

http://www.tativille.com/

publicado por ikaros às 15:55
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Quarta-feira, 7 de Março de 2007

Os cinco

eram eles: Julian, Dick, Anne and George e o cão Timmy

Para quem viveu na década de 70 esta série era imperdível. Uma hora de aventura em que as crianças eram os heróis.

Hoje em dia, este não seria um argumento original, mas naquele tempo... ainda me lembro de ter expulso um miudo do  grupo para que este não ultrapassasse o número de cinco elementos.

Os cinco de Enid Blyton

publicado por ikaros às 22:54
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Terça-feira, 6 de Março de 2007

Syd Barrett

1946 - 2006

 

Louco, visionário, excêntrico ... E Seria preciso ser-se também louco para falar de Pink Floyd sem referir o nome de Syd Barrett . Se não o fiz  anteriormente  , não foi por esquecimento, mas por convicção de que esta "personagem" deveria merecer  um tratamento especial.

Roger Keith Barrett fez parte da primeira formação dos Pink Floyd . No entanto, o seu papel como líder da banda ficou-se pelo primeiro álbum The piper at the gates of dawn ). Ainda  contribuiu com um tema no segundo álbum "A saucerful of secrets ", a sua caminhada artística junto com os seus colegas nunca mais voltaria a encontrar-se. Mas Barrett não ficaria esquecido. Os Pink Floyd dedicaram-lhe o álbum Wish you were here " e at é lá participaram também na gravação de alguns dos seus trabalhos a solo.

Entretanto ficaram-nos as histórias de Syd a recusar-se a cantar em directo no programa de Pat Boone ; de Syd a correr atrás dos aviões na pista do aeroporto; de Syd a comparecer em festas vestido de mulher... Enfim. O LSD tomou conta do resto. Retirou-se. Foi viver com a mãe, dedicou-se à pintura e raramente reapareceu ao público.

Creio que ninguém é capaz de ficar indiferente à sua história. Uma explosão de criatividade que logo definhou e desapareceu. Ficaram algumas obras mas sabem-nos sempre a pouco. Há sempre aquela questão suspensa no ar: "e se..."

Possivelmente, se não fosse doido não seria Syd Barrett . Para além da saudade devido ao seu prematuro desaparecimento dos palcos, resta-nos agora a tristeza da sua morte.

Louco.

"Octopus ride" de Syd Barrett

Mais informações em:

http://www.sydbarrett.org/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Syd_Barrett

publicado por ikaros às 19:18
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Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Pink Floyd

Pink Floyd: fusão do nome de dois músicos de blues: Pink Anderson e Floyd Council. Criado em 1964, o grupo era então composto por Bob Klose, Syd Barrett, Richard Wright, Roger Waters e Nick Mason. Bob abandonou o grupo à procura de uma orientação jazz, deixando o resto dos seus colegas entregues aquela que viria a tornar-se uma das mais prestigiadas bandas dos anos 60/70.

Barrett logo surgiu como líder natural do grupo. Os seus delírios e criatividade transbordante permitiram-lhe assinar a maior parte das músicas do primeiro álbum "The piper at the gates of dawn". No entanto, devido ao uso excessivo de drogas psicotrópicas, a sua participação no segundo álbum limitou-se a uma música apenas. David Gilmour foi contratado e Barrett retirou-se.

Com esta nova formação, os Pink Floyd reformularam o seu percurso. Os seus trabalhos tornaram-se mais introspectivos, as palavras deixaram de ter o mesmo protagonismo  e a sua música começou a ditar as regras do vanguardismo da altura. Experementalismo e psicadelismo eram definições que os caracterizavam.

Waters, o líder do grupo, foi tomando protagonismo e graças a ele os Pink Floyd tornaram-se também mais melódicos. Em 1973, com a saída do álbum "The dark side of the moon" a banda viria a encontrar um sucesso retumbante fazendo-os quebrar records de venda e de permanência nos tops. Diga-se de passagem que esse disco merece muito do seu sucesso ao então engenheiro de som Alan Parson.

Agora como grupo rock sinfónico, os Pink Floyd era considerada uma das bandas mais prestigiadas da altura. Em 1979, a épica ópera-rock "The wall" marcou outro ponto de viragem: essencialmente com músicas compostas por Waters, o grupo começou a desintegrar-se. Wright participaria neste projecto por contrato e retirou-se. O último álbum desta era seria "the final cut". Sem Wright, Waters voltou a retomar o tema obcessivo sobre a guerra e a morte do pai. Neste momento  o grupo era considerado como um mero suporte musical ao cantor Roger Waters e este acabaria por anunciar, em 1985, o fim dos Pink Floyd.

Em 1987, David Gilmour voltou a reunir o grupo substituindo Waters por Guy Pratt. "A momentery lapse of reason", embora bem sucedido em termos de venda, não aspirava aos Pink Floyd que anteriormente se conhecia. Waters questionou a legitimidade desta nova formação e iniciou uma campanha judicial sobre direitos de autor.  Em 1990 Waters fez renascer o concerto "the Wall" deixando os fãs um bocado confusos: "mas então, quem são os Pink Floyd?" A pergunta ficou no ar até 2005, quando 24 anos após a ruptura, os quatro reuniram-se de novo para o concerto do Live 8. Até ao momento não existe nenhuma notícia sobre futuros trabalhos.

Um desfecho que acabou bem, mas lamentável.

Pessoalmente, não aprecio o mito que se criou à volta dos Pink Floyd como sendo um grupo construtor de espectaculares concertos, cheios de efeitos especiais e de guitarradas intermináveis, mas sim o espírito criativo que os lançou lentamente para a fama nos finais dos anos 60/70. Claro que me estou a referir aos primeiros tempos, quando um álbum era ouvido como se se tratasse de uma obra literária, com princípio, meio e fim.

Nunca assisti a um concerto deles. Porquê? Para mim os Pink Floyd acabaram com The Wall ". E é tudo!

Sem ressentimentos por Gilmour ou Waters .

Clip promocional de "Echoes":

 

Site oficial:

 

 http://www.pinkfloyd.com/echoes.html 

publicado por ikaros às 17:24
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