Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

Albert Camus

Albert Camus 1913 - 1960

O "pied noir"

 

O caminho para a literatura estava traçado. Ao chamar a atenção dos seus professores, Jean Grenier iniciou-o na leitura de Nietzshe e Louis Germain incentivou-o a seguir os estudos. Camus agradecer-lhes-ia posteriormente, em 1957, ao lhe ser atribuído o prémio Nobel da literatura. Em Argel participou na revista Sud , cria o Theatre du Travail " e mais tarde o Théatre de L'Équipe ". Abandona o partido comunista e entra para o jornal Front Populaire ". Os seus artigos chamam a atenção do público e em 1940 muda-se para Paris para ir trabalhar no Paris-Soir ". A partir daí inicia a sua carreira de escritor.

 

Camus cruzou-se com Sartes, e embora tenha sempre recusado o rótulo de existencialista, na verdade deu-lhe o seu bom contributo. As suas obras evocam o absurdo da existência, com personagens divididos entre conflitos e escolhas que muitas vezes é um fechar de olhos à importância da vida. Um dilema entre as regras dos homens e a vontade de cada um. Assim Camus juntou o seu nome a outros escritores como Kafka, Dostoiévski , Beckett e Ionesco . Não, não é uma leitura leve. Para Camus, o absurdo estava para lá da razão e o suicídio era a sua única resposta.

 

Morreu em 1960 num acidente de viação.

 

Farei aqui referência apenas a alguns livros. Aqueles que me foram mais reveladores:

 

              

"O Exílio e o Reino" - Porque foi o primeiro que li. As histórias eram curtas e a sua análise é riquíssima.

 

"O Estrangeiro" - O mais badalado e o mais adorado pelos adolescentes em crise existencial. (claro está.)

 

"A Queda" - Todo ele um monólogo. Acreditem-me, ninguém fica com a mesma imagem de si próprio após a sua leitura. E eu caí na armadilha.

 

"A Morte Feliz" - Editado após a sua morte. Somos capazes de reconhecer extractos de "O Estrangeiro". No entanto este personagem parece muito mais perdido.

 

Algumas das suas obras foram adaptadas para cinema, mas sem grande sucesso. Talvez "O Estrangeiro" de Visconti seja o único que mereça referência. Para além disso influenciou numerosos grupos do pós-punk do início dos anos 80. Temos assim os The Cure com o tema Killing an Arab " (título inspiarado n' O Estrangeiro" e não um grito de guerra xenófobo como alguns querem fazer crer); os The Fall, cujo próprio nome provém d' "A Queda"; Manic Street Preachers (The Masses Against The Classes); entre outros.

 

"L'étranger" de Lucciano Visconti

publicado por ikaros às 09:41
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1 comentário:
De livros2amao a 9 de Março de 2008 às 15:06
acabei ontem de ler "O Estrangeiro" e ainda estou a interiorizar, pois tem muitas pontas por onde pegar.
Apreciei especialmente a descrição da fase na prisão, do dia-a-dia, do facto de não ter com que passar os dias, do recurso à sua memória e imaginação para trazer ao presente algum conforto e da referência ao julgamento em si, das discussões entre advogados, como se ele, o condenado, ali não estivesse e nem fosse tido nem achado em toda aquela conversa. Tudo isto fez-me pensar um pouco, como depressa queremos julgar alguém, condená-lo, mas reabilitação, criar oportunidades, tentar compreender o outro lado, nem pensar! Apesar de o livro ter sido escrito em 1942, parece que muitas coisas ainda continuam actuais!

Na estante espera-me "A Peste", "A Queda" e "O Mito de Sísifo".
Confesso que depois de ler o que escreveu: "A Queda" - Todo ele um monólogo. Acreditem-me, ninguém fica com a mesma imagem de si próprio após a sua leitura. E eu caí na armadilha.", fiquei intrigada com o seu possível significado. Talvez apresse a minha leitura.

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