Quinta-feira, 15 de Março de 2007

Brighton / Quadrophenia

 

Por vezes a ignorância joga mesmo em nosso favor.

Quando decidi visitar Brighton, fi-lo porque a localidade estava ali perto. Por mais razão nenhuma. Quando me informaram que esta cidade era o palco de encontro da comunidade gay e de concentrações skin heads , a pacata jornada que tinha programado começou a tomar os contornos de uma peregrinação. Quando lá cheguei não me apercebi de qualquer festividade, no entanto a cidade ficar-me-ia cravada na memória até hoje.

Aquilo que mais me marcou foi o passeio junto à praia: as fachadas das casas vitorianas a formarem uma muralha infinita paralela à marginal Art Nouveau , a praia de cascalho e os enormes pontões de madeira que avançam pelo mar dentro suportando inumeráveis restaurantes, feiras e casas de jogos. Mais para o interior, a cidade rústica de ruas estreitas povoadas de alfarrabistas e lojas de antiguidade. E, não sabendo como, encontrei-me num bairro repleto de lojas incomuns: a loja especializada em produtos constituídos por caveiras, a loja dos produtos francófonos, a loja do Tintin , a loja das missangas, etc. Em todas as paredes posters fotocopiados denunciando as experiências cruéis feitas em animais de laboratório, ou apelando à movimentação neo-nazis , ou divulgando bandas de rock e de tudo mais um pouco.

Saí de lá com a sensação que Brighton era diferente às restantes cidades Inglesas. Pela primeira vez, a minha atenção não tinha sido atraída para uma catedral ou para um dos typical monumento das "Cross Roads ". A minha visão ficou mais junto ao chão. Mais às pessoas.

 

Ao ver o filme Quadophenia, apercebi-me que Brighton há muito que cultiva a fatalidade de ser um ponto quente no confronto das diversas culturas urbanas . O filme foca um dos incidentes ocorridos entre Mods e Rockers em 1964 e nele  surge, claro está, as ruas de Brighton. Ainda hoje esta cidade é um local de peregrinação para todos os novos e velhos Mods. E a estreita ruela aconchegada continua a fazer o seu efeito. Apesar dos novos inquilinos...

O filme foi realizado por Franc Roddam a partir da ópera rock dos The Who . Um filme divertido, um documentário instrutivo, um pedaço de história sem dúvida.

 

  

 

A não perder: uma das primeiras representações de Sting. (Valha-me Deus!)  

publicado por ikaros às 14:21
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