Sábado, 10 de Março de 2007

William Burroughs

1914 - 1997

William S. Burroughs nasceu em St . Louis , no Missouri, num contexto familiar modestamente privilegiado e respeitado. O seu avô, a figura central deste universo e fundador da Burroughs Corporation , era um homem que ainda se recordava do terror das últimas investidas dos índias feitas aos colonos. Queriam algo mais americano? Mas apesar disto, William não foi propriamente o filho exemplar, na realidade os sarilhos em que frequentemente se envolvia, davam-lhe gozo. E assim foi vivendo o resto da sua vida.

Após ter passado por Harvard, completando o curso de antropologia, e depois por Viena, para estudar medicina, logo regressou aos EUA devido à pressão que o movimento Nazi começava então a exercer na Europa. Durante este curto período, William já tinha assumido abertamente a sua homossexualidade e já estava bastante entranhado na cultura do submundo. De volta ao seu país,  foi internado num hospício após ter mutilado o seu dedo mindinho da mão esquerda para impressionar o seu companheiro da altura. Todos estes cadastros fizeram com que em 1940, o exército dos EUA o "dispensasse" de servir na 2ª Guerra Mundial. Foi para Nova York e aí decidiu aceitar todo o tipo de emprego que lhe aparecesse à frente: exterminador, dactilógrafo , etc. Tudo pela experiência. E pela experiência relacionou-se, também, com todo o tipo de artistas rejeitados (entre eles Jack Kerouac ), intelectuais, homossexuais, vagabundos, etc. O seu estilo vida era, literalmente, um ensaio à promiscuidade e ao consumo de substâncias ilícitas. Foi nesta altura que a sua visão do mundo começou a tomar contornos bem definidos. A burguesia e todos os costumes institucionalizados enojavam-no.

Neste círculo de amizades, William começou a viver com Joan Vollmer, a mulher da sua vida. Mas a morfina e a heroína falavam mais alto.  Entre sarilhos e detenções Joan acabaria por ser internada no hospício devido às repetidas psicoses. Após este episódio, o casal fugiu para o México para escapar a uma acusação de tráfico de droga e em 1951, William mata Joan com um tiro na cabeça quando, bêbados, decidiram brincar ao jogo de William Tell . Num julgamento um pouco "peculiar", William deixou o México e partiu para a África do Norte.

Diga-se de passagem que foi nesta altura que começaram a ser produzidos aquelas que viriam a ser as suas melhores obras literárias.

 A escolha da África do Norte não foi inocente. Na realidade,  o destino foi-lhe sugerido porque aí tanto a droga como a prostituição masculina eram fáceis de encontrar e eram também baratas.

Em 1959 mudou-se definitivamente para Paris e aí a sua arte começou a ser levada a sério. Nessa altura, a Europa era ávida pela cultura americana e Burrroughs era o seu novo representante. As suas ideias sobre a arte e a escrita divulgaram-se rapidamente. Uma delas foi a famosa técnica dos "cut up " que consistia em cortar um ou vários textos em diferentes partes e voltar a juntá-lo ao acaso. Esta herança dadaísta era aquilo que faltava para fazer florescer a nova geração beatnick . Foi requisitado por todos os novos artistas e intelectuais do momento:. Andy Warhol , os Rolling Stones , The Clash, Tom Waits... foram alguns que recorreram directamente à fonte Burroughs .

Burroughs & Patti Smith

Finalmente reconhecido, William pôde então fechar o ciclo da sua existência. Não em paz como um velho sábio, mas da única forma como soube viver. William Burroughs morreu em 1997 aos 83 anos de idade. Nunca se livrou do vício da heroína.

         

Todos os livros de Burroughs têm um forte traço autobiográfico.

A sua compreensão não é fácil. Pelo menos para quem procura um sentido...

"Cidades da noite vermelha" é um dos meus romances preferidos. Vários mundos, várias épocas, um surto virulento desconhecido que surge na América do Sul, uma conspiração pirata nas Caraíbas para dominar o mundo através da proliferação de drogas, cidades extraterrestres inventoras de doenças... Tudo contado ora como um conto, ora através de "cut ups". Cabe a nós juntar as peças ou seguir a nova narrativa.

publicado por ikaros às 21:39
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