Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

O culto da cultura

Pois é. Há relativamente poucos anos atrás, as pessoas tinham que se mexer para ter alguma informação. A Internet não existia e, por isso, qualquer notícia sobre o mundo da cultura alternativa era adquirido a muito custo, com o esforço da leitura, dos contactos entre amigos e de horas intermináveis sentado em frente à televisão, à espera do programa certo, à hora certa. Quem se baldava ficava à nora. As revistas eram muitas vezes emprestadas, os programas da TV eram gravados em VHS, as cassetes áudio eram gravadas e regravadas até à exaustão, música sobre música, registo sobre registo, e isto tudo para poder compilar algo que se parecesse com um arquivo... "talvez, um dia mais tarde, faça falta". As revelações fotográficas eram caras e scanners nem vê-los. Recortavam-se as imagens das revistas, fotocopiavam-se artigos e apontavam-se nomes e outras referências no canto da capa de uma TV Guia que era, inadvertidamente, jogada fora na semana seguinte. Não havia SMS e tudo era mandado por correio: comprar o selo, o envelope, colocar a carta na caixa dos CTT, esperar dois dias para que chegasse ao destino e esperar, na melhor das hipóteses, mais dois dias pela resposta.

 

No início, só a música me interessava. Ainda antes de eu ser gente, havia o Top + e o Europe Countdown . Depois veio o Pop-off e Euroritmias , ambos na RTP2 e que entretanto já desapareceram. E havia o Blitz, quando ainda era um jornal de música e quando ainda existiam pensamentos ociosos e pregões a serem preenchidos num espaço dividido por pequenos quadradinhos.

 

Depois cresci, tornei-me mais ecléctico , e comecei a acompanhar o Outras Músicas (também morto). Nessa altura descobri Metropolis , na TVE2 onde me foi dado a conhecer a realidade virtual quando cá ainda se jogava com o Spectrum 128K; os Nirvana quando cá a música pesada era somente Iron Maiden; e nomes como Zbigniew Rybczynski, Joel Coen  entre outros que aprendi a respeitar. (Este programa ainda dura.)

 

Veio o momento do programa Acontece, na RT2 e que entretanto também faleceu. (É impressão minha ou vai-se morrendo neste país?). Quanto à leitura, desviei-me para algo mais cosmopolita e "trendy" e comecei a seguir a revista The Face. Esta última também morreu, mas pelo menos era Inglesa (dizem que não se aguentou devido à Internet).

 

E é devido à Internet que hoje tudo se sabe. E também graças à TV por cabo. Muitas coisas. Demasiadas! Por isso, hoje em dia, leio o suplemento Ypsilon do jornal Público e sigo o programa Tracks no canal ARTE que é muito bom e recomenda-se.

 


Punks en Indonésie Tracks arte
TRACKS_unofficial
publicado por ikaros às 22:58
link do post | comentar | favorito

.Os últimos 50:

. Pequena história infantil...

. Voltei com um novo espíri...

. Pequena história infantil...

. último post

. O cubo

. 11 de Abril

. A conspiração francesa

. Orlando

. Freya Stark

. Christiane F.

. A CENSURA

. O culto da cultura

. Forguette Mi Note

. Os profetas da desgraça

. Sidarta - Hermann Hesse

. Glam Rock

. Dogville

. Emir Kusturica

. Antoni Gaudi

. Italo Calvino

. Beck

. Papa Luna

. Terry Gilliam

. Friedrich Nietzsche

. Mestre Ambrósio

. Chico Buarque

. O Auto da Compadecida

. Mano Negra / Manu Chao

. A bonecada

. Sexo & Corn Flakes

. Gabriel Garcia Marquez / ...

. La Haine

. Jacques Brel

. Jean-Pierre Jeunet

. Marvel

. Penguin Cafe Orchestra

. The Cure

. Milan Kundera (A Insusten...

. Richard Scarry

. Monty Pythons

. Jogos para a carola

. Dark Cabaret

. Albert Camus

. Os heróis da TV

. Jan Saudek

. Stand by me

. A guerra do fogo

. Margarida e o Mestre

. Hedningarna

. Chapi Chapo

.A lista toda

Abril 2008 Março 2008 Fevereiro 2008 Janeiro 2008 Dezembro 2007 Novembro 2007 Julho 2007 Junho 2007 Maio 2007 Abril 2007 Março 2007

.links

.visitante nº

Web Counters

 

  

blogs SAPO

.subscrever feeds