Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Sidarta - Hermann Hesse

 

Hermann Hesse

1877 - 1962

 

Não me vejo propriamente como um ser espiritual, mas reconheço que em todas as histórias religiosas, míticas e tradicionais escondem-se significados comuns a todos os seres humanos e extremamente assertivos no que diz respeito à nossa união com o mundo.

 

E se me considero bastante pragmático em determinados aspectos, em algumas situações não tenho pudor em assumir que prefiro parar um momento e ouvir aquilo que o mundo tem para me dizer. Básicamente procuro sinais, escuto o ritmo da vida, observo o fluxo da vida e tento centrar-me. É um exercício que me mantêm lúcido e para isso tanto recorro a ensinamentos católicos, como budistas ou filosóficos. Existe uma raíz comum em todos eles e é nessa raíz que procuro as minhas energias. Antes isso do que recorrer à paraga de livros de auto-ajuda que inundam as nossas livrarias.

 

E foi num romance magnificamente bem escrito que há alguns meses reencontrei forças para voltar à tona de água.  Sidarta é uma das mais prodigiosas prosas escritas por Hermann Hesse. Foi um pequeno tesour que estava esquecido numa das minhas estantes (daqueles livros que a princípio nunca seriam lidos) e que me veio parar às mãos inadvertidamente. Enfim, ouvi as palavras que precisava ouvir no momento. Poderiam ter sido outras, mas estas serviram.

 

Mesmo que eu não seja eterno ou que não reencarne após a minha morte não estou disposto a que a roda de Samsara inicie o seu ciclo indefinitivamente na minha vida. Por outras palavras: recuso-me a fazer o trabalho de Sísifo. (Viram como é facil criar-se uma analogia entre o budismo tibetano e a mitologia da antiga Grécia? O segredo está na raíz.)

 

mais sobre este livro em: http://biblioteca.folha.com.br/1/16/sinopse.html

publicado por ikaros às 17:18
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2 comentários:
De livros2amao a 26 de Fevereiro de 2008 às 14:35
Este é um livro relativamente pequeno, mas cheio cheio de sumo!!
A linguagem utilizada é muito simples, mas cheia de significado, obrigando-nos a reflectir nas nossas próprias vidas. Siddhartha representa cada um de nós, em busca do seu caminho, daquilo que nos completa, que nos leva à felicidade. Também refere os erros ou as ciladas a que facilmente podemos ceder, pois elas são constantes tentações.
O livro chega a ser bem claro no que se refere aos erros que nós, cada pessoa individualmente, tem de cometer para crescer. Não adianta ter um pai “sábio”, que tenha experienciado muito, pois ele para chegar a esse patamar, também teve de errar. É difícil ver os nossos entes mais chegados a passarem por situações que à partida seriam desnecessárias, se aprendessem apenas através da nossa experiência. Mas tudo isto é inevitável, cada um tem de percorrer o seu próprio caminho, tropeçar nas pedras e erguer-se!
Outro ponto essencial do livro, foca exactamente que não se encontra aquilo que se procura, encontra-se o que se encontra. Isto é, quando estamos obcecados por um determinado resultado, por alcançar um objectivo, esquecemos o que nos rodeia, os que estão à volta e isso faz-nos alcançar o objectivo, mas com uma sensação de vazio. Enquanto que se estivermos abertos a tudo aquilo que está à nossa volta, a aprendizagem sai deveras mais enriquecida. Como se costuma ouvir: o mais importante do Caminho não é chegar ao fim, mas percorrê-lo.
Sem dúvida um livro para um dia voltar a reler, pois o tema e as aprendizagens são intemporais!
De ikaros a 27 de Fevereiro de 2008 às 10:43
Palavras sábias. Não conformistas, apenas sábias... Haja luz.

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