Terça-feira, 19 de Junho de 2007

Friedrich Nietzsche

Friedrich Wilhelm Nietzsche 1844 - 1900

 

Calma! Calma! Antes de tudo, muita calma. É verdade que Nietzsche foi polémico, misógino , sexista, xenófobo , sociopata , intolerante e acima de tudo (para alguns) extremamente chato. Também é verdade que é a ele que se deve algumas razões que despoletaram os ódios da segunda guerra mundial. É verdade, sim senhor, e não estou aqui para insinuar o contrário. Nietzcshe foi isto tudo e, ainda por cima, frustrado sexual. Mas tentemos um exercício, responder a uma única questão: porque foi tão difícil demonstrar que ele estava errado? tentemos responder sem moral, sem ética apenas cientificamente e com lógica.

Na verdade, não pretendo iniciar uma dissertação sobre a filosofia de Nietzsche. As obras que mais me marcaram foram "Para além do bem e do mal" e "A genealogia da moral" e foram estas que me agitaram as ideias.

Em "Além do bem e do mal" o que mais me surpreendeu foi a escrita. Não é de fácil leitura: as ideias aparecem-nos muito concentradas não deixando espaço para lapsos e distracções , e para além disto, as frases são compridas. Mas nele realçam as ideias sobre o poder, o insurgente sobre a cultura do dogmatismo e do servilismo , assim como reflexões sobre a linguagem (bastante válidos). Pontuando isto tudo, de uma forma bastante inteligente, com exemplos sobre as religiões, as culturas e as tendências sociais de então.

Em "A genealogia da Moral" o texto continua, mas desta vez focando (e atacando)a questão dos valores.

Com estas reflexões, Nietzsche desarmou várias gerações de filósofos e mesmo correntes que pareciam distanciar-se deste pensamento, voltavam por recair na mesma velha questão. Por exemplo, ao seguir a corrente existencialista, que me parecia superior a todas estas questões mundanas, deparei-me com as obras de Martin Heidegger (o mestre do existencialismo) que, como se sabe, não resistiu à tentação de incluir a filosofia de Nietzsche no seu raciocínio. Nem o utilitarismo inglês, bastante mais empírico , parecia destronar o niilismo em que a filosofia tinha caído.

Perdido na conclusão fatídica de que Nietzsche era o ponto final, decidi virar a minha atenção para a antropologia e posteriormente para a biologia ("O espectro de darwin" de Michael R. Rose). Foi aí que finalmente encontrei a fuga. Na verdade há muito tempo que se falavam nas consequências deontológicas da genética, mas eu estava longe de aperceber-me de que dois mais dois eram igual a quatro. Foi preciso recorrer a Darwin. Por estranho que pareça , as teorias de Darwin que tanto tinham beneficiado o pensamento Nietzschiano , agora, graças à genética, eram o seu principal antídoto. Na realidade, não era a razão do mais forte que interessava, mas sim a razão do mais adaptado. Sabiam por exemplo que existe uma tribo na África subsariana que é imune ao vírus da sida? E se esses fossem os sobreviventes da raça humana? E se neste povo (supostamente mais primitivo, negro, subdesenvolvido para alguns) jaz o segredo para um dos maiores flagelos que se abateu sobre a raça humana (mais civilizada , mais branca e mais desenvolvida para outros)?

Sim foi uma longa viagem e reconheço que Nietzsche foi uma batalha e tanto. No entanto recordo-o com muita perplexidade e alguma admiração envergonhada, porque é sobre estes génios que devemos estar atentos, pois muitas vezes colocam as questões às quais não temos respostas e depois... a verdade pertence-lhes. Por isso durmam, meus senhores, durmam que o anticristo, assim, há-de chegar muito mais humano do que cremos.

 

publicado por ikaros às 21:20
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2 comentários:
De Miguel costa a 23 de Outubro de 2007 às 18:51
Caro Ikaros

Se procuras apresentar uma ideia "... sem moral, sem ética apenas cientificamente e com lógica." ... gostaria de te elucidar para o facto de que, não existe a Raça Humana.
Existem 3 tipos de raça:
-Caucasiana
-Mongolóide
-Negróide
Estes são os termos científicos que distinguem as três raças.

Cumprimentos

Miguel Costa
De ikaros a 28 de Novembro de 2007 às 13:37
Obrigado pelo acerto. Vale sempre a pena reler...

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