Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Pequena história infantil para anarquistas

 

Era uma vez um homem que não queria ter país. Disseram-lhe que tinha nascido naquela terra e que portanto pertencia àquele país. Revoltado por ter sido vendido antes de ter nascido, decidiu fugir. Chegou à fronteira e, quando se preparava para sair, apareceu um homem com um bonito uniforme: “Alto!" Disse ele, " O que o senhor deseja?”. Então o homem que não queria ter país respondeu que queria daquele país porque ali não se sentia bem. Então o homem com um bonito uniforme respondeu: “Desculpe, mas para entrar neste país é preciso autorização.”. O homem que não queria ter país ficou surpreendido, afinal existia outro país ao lado do seu: eram portanto dois. Voltou para trás e foi buscar um mapa. Olhou bem e reparou que existiam muitos países à volta do seu. Aliás, estava completamente cercado de países. Ficou desanimado.

Um dia, um senhor com um ar muito importante, chegou ao pé dele e disse-lhe que tinha de pagar muito dinheiro. O homem que não queria ter país perguntou porquê e o homem com um ar muito importante respondeu: “Para ser cidadão deste país, o senhor tem de pagar.”. O homem que não queria ter país exclama então: “Mas eu não quero ter país! Não posso ficar aqui quietinho sem incomodar ninguém?”. Então o senhor com um ar muito importante explicou que se quisesse estar ali, a beber daquela água e a respirar daquele ar então teria de pagar. Para não arranjar problemas, o homem que não queria ter país pagou o que devia e o senhor com um ar muito importante foi-se embora.

Umas semanas depois, outro senhor com um ar muito importante chegou ao pé dele e disse-lhe que tinha de assinar muitos papéis. O homem que não queria ter país perguntou porquê e o outro homem com um ar muito importante respondeu: “Para se ser cidadão deste país, o senhor tem de assinar.”. O homem que não queria ter país volta a exclamar: “Mas eu não quero ter país! Não posso ficar aqui caladinho sem incomodar ninguém?”. Então o outro senhor com um ar muito importante explicou que se quisesse estar ali, a beber daquela água e a respirar daquele ar então teria de assinar. Para não arranjar mais problemas, o homem que não queria ter país assinou os papéis todos e o outro senhor com um ar muito importante foi-se embora.

Farto dos senhores importantes, o homem que não queria ter país, faz a mala e decide fugir daquele país chato. Decide fugir de noite para passar pelos outros países sem ser visto. Depois, quando estivesse muito longe, num sítio onde não houvesse países, ali construiria uma casa e ficaria lá a viver. Assim fez. Deu voltas e mais voltas à terra, navegou em rios e oceanos, escalou montanhas muito altas e atravessou desertos muito áridos, mas não conseguia encontrar um sítio sequer onde não houvesse países. Houve mesmo uma vez que se sentou para descansar numa pequena rocha perdida no meio do mar, e houve outro homem com um bonito uniforme que lhe disse que estava a invadir o seu país. O homem que não queria ter país estava desmoralizado.

Um dia, encontrou um sítio onde não via senhores com um ar muito importante e homens com um bonito uniforme. Perguntou a um homem muito pobre que por ali passava, que país era aquele. O homem muito pobre que por ali passava respondeu: “Isto?! Isto é o país de ninguém.”. O homem que não queria ter país ficou muito contente e pulou de alegria, mas depois fez uma nova pergunta: “E as pessoas? Onde estão as pessoas?”. O homem muito pobre que por ali passava respondeu: “Pessoas?! As pessoas fugiram.”. Então o homem que não queria ter país ficou muito triste outra vez. Reparou que à volta dele só havia casas destruídas e carros a arder e partiu de novo.

Ao fim de muitos anos, o homem que não queria ter país já estava velho e cansado e dizia: “Não descansarei até encontrar um lugar onde não haja países!”. E continuou.

Continuou por muitos anos e acabou por morrer. Pegaram nele e enterraram-no num país cujo nome não me lembro agora.

publicado por ikaros às 19:33
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Sábado, 5 de Setembro de 2009

Voltei com um novo espírito

publicado por ikaros às 19:22
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Pequena história infantil para protestantes

- Estou farto! - disse o Diabo um belo dia – Estou farto de estar neste buraco e com gente a queixar-se todo o dia!

 De facto era penoso: o nosso pobre Diabo passava o dia inteiro fechado no inferno, sem féria e fins-de-semana, e agora queria descansar. Um ajudante, um diabrete assim para o esquisito com pele azul cinza, levantou-se da rocha onde estava sentado, e respondeu:

- Mas Mestre, você não pode estar farto! Se você se fartar, quem vai tomar conta do inferno? As pessoas que aqui estão para pagar pelos seus pecados precisam de ser castigadas. As chamas que saem das fornalhas precisam de ser alimentadas. Se você está farto, quem vai dirigir isto tudo?

E o Diabo respondeu:

- Não sei! Só sei que estou farto e vou mudar de profissão.

E assim dito, assim feito: o Diabo levantou-se da sua poltrona e saiu do inferno. Mas antes de se ir embora, tinha que avisar Deus (que era também o seu patrão). O Diabo dirigiu-se assim para o paraíso e quando chegou à porta do paraíso, tocou à campainha.

- Quem é? – respondeu uma voz angelical do outro lado da porta.

- Sou eu: o Diabo. Vai avisar Deus que me vou embora. Vou abandonar o inferno.

A voz do outro lado respondeu muita aflita para esperar e que iria avisar Deus. Ao fim de poucos minutos, a porta do paraíso abriu-se e Deus surgiu.

- Que história é esta Diabo?! – perguntou Deus – Disseram-me que te ias embora. Como pode isto der?

- Estou farto! – respondeu o Diabo – Estou farto de estar fechado no inferno, de ouvir as queixas das pessoas a toda a hora e ainda por cima não tenho férias desde que aquilo abriu.

Deus olhou preocupado para o Diabo e retorquiu:

- Mas sendo assim, o que farei das almas maldosas que estão no Inferno? Eu não as posso deixar à solta e sobretudo não as posso deixar entrar no paraíso. Iriam estragar o ambiente.

- Não quero saber. Desde há muitos anos que te tenho ajudado a manter as pessoas más longe do paraíso, por isso desenrasca-te sozinho.

E ao dizer isto, o Diabo virou as costas e foi-se embora. Deus ficou angustiado, porque afinal de contas, o Diabo estava a dar-lhe uma grande ajuda. E agora? O que iria ele fazer?

Os dias foram-se passando e Deus não tinha mãos a medir: as chamas do inferno tinham de ser constantemente ateadas; as pessoas que estavam no inferno escapavam-se quando Deus estava distraído; no paraíso as pessoas queixavam-se que o local estava a ser mal frequentado; e os ajudantes do Diabo passavam o tempo a ver televisão recostados nos sofás. Que inferno!

Num dia em que a situação estava já muito descontrolada (uma pessoa do inferno tinha fugido para o paraíso e urinou para dentro do lago onde as felizes criaturas de Deus bebiam água), Deus não aguentou mais. Decidiu telefonar ao Diabo e pedir-lhe para voltar. Após uma longa conversa, o Diabo aceitou voltar para o Inferno, mas com a condição de poder ter os fins-de-semana livres. Deus anuiu.

E viveram os dois felizes para o resto da eternidade.

publicado por ikaros às 12:29
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

último post

 

Eu sei: o mundo não pára, avança e não pede licença. É um malcriado.  Ou talvez não: fui eu que abrandei, distraído, e agora falo mal dele porque segue o seu ritmo. Não sei. A única certeza que tenho é que caminhamos lado a lado como um casal abespinhado, como aqueles casais que já não se conhecem um ao outro, que perderam o fio à meada, que já não sabem que brilho os anima. Mas acima de tudo, sinto-me pessoalmente mais um espectador do que propriamente um ser integrado num sistema biológico com ecossistema e tudo. Quem haveria de dizer? Eu que sempre prometi não baixar os braços em circunstância alguma, que prometi lutar contra a mediocridade e a ignorância... apelar à razão. E hoje, que apelo devo eu fazer? Hoje sou isto: um homem que tomou a decisão mais fácil.  A decisão menos controversa. Aquela que não faz ondas. Porque hoje pus os meus valores de parte. Cingi-me à lei. Não olhei para a pessoa à minha frente como um Homem. Não fiz apelo aos meus ideais. Cumpri a ordem, tão friamente e insensível como um carrasco. E não escondi sequer a cara. "És apenas um conjunto de competências", foi este o meu veredicto. E não apelei à balança. Pelo menos não aquela com os dois pratos. Foi numa daquelas balanças de garagem que apenas avalia o peso do carro e mais nada. Peso sobre peso.

Porque neste país, agora, tudo tem de ser perfeito. Tudo tem de responder à letra como está escrito no Decreto-Lei que remete para o determinado artigo que por sua vez prescreve a alínea tal. Porque neste país, agora, tudo é transparente e todos são avaliados por todos. E o que não fizemos durante um ano remetemos para a acta, e o que não remetemos na acta transpusemos para o relatório final e o que não foi transporto no relatório remete-se, por sua vez, para a entrevista final. Tudo como manda lei para não haver dúvidas. Dúvidas?  E as minhas? Que deverei eu dizer àquele que apenas quis fazer o seu trabalho e mandou para diabo o labirinto burocrático que nos ceifa o alento? Não tenho dúvidas sobre ele, mas os outros... os outros têm de saber. Lido no papel.  É preciso salvaguardar-se. Trabalhar? Esforço? Dedicação? Ao raio para tudo isto.

Cheguei a um momento em que julguei tão escrupulosamente um homem como se julga um cão. Rafeiro. Não tem dono nem raça. Fora! Xô! Cheguei a um momento em que me encostaram à parede e eu cedi. Não estou aqui para fazer crescer, estou aqui para que tudo seja conservado. Não acredites. Sanciona. Cheguei a um momento em que definitivamente actuei como um maravilhoso transístor. Fui implacável, lúcido e incisivo. Não apelei à humanidade nem sequer ao bom senso. Fui uma máquina afinada e cutilante que arrancou a résquia de audácia que ainda havia em mim. Um verdadeiro filho da puta.

Tantos congratularam a minha decisão. Estão agora descansados. Não querem arriscar. Não acreditam sequer. Querem tudo na ordem. Querem um país ordeiro como se vê na Suissa. Belo e aborrecido. Não querem esforço, não querem altivez, só querem que esteja tudo bonito. Não querem aventura. Querem férias com pensão de cama e almoço. “È o que diz a lei!” dizem-me. Ao raio com a lei. Saberão eles tanto como eu que esta lei, tão linda e formosa, que é a melhor do mundo, que é a mais justa e a mais democrática de todas, é também a causa do inanismo repugnante em que o nosso país vive? Que esta lei que tanto enaltecem é um jogo de xadrez para os doutos conformistas? Deverá a Lei ser o princípio do entendimento humano ou deverá ela ser a última possibilidade quando não há já mais soluções há vista? Saberão eles o que são iniciativa, proeza e alternativa? Saberão eles acreditar? Talvez nunca tenham acreditado em Deus. Talvez sejam todos Cristãos para se salvaguardarem. E que diria o Deus deles a isto tudo? Talvez não sejam crentes. Talvez sejam só carentes.

Hoje, e daqui para a frente como me olharei ao espelho?   Tenho náuseas só de pensar nisto. Como me julgarei a mim próprio na minha privada sala de audiências? Meu Deus, que caminhada a minha. Baixei os braços e fiz o que me foi pedido. Cresci. Perdi as ilusões. Caminho estranho ao que se passa. Não, não sou eu. Este não é eu.

 

 

 

 

publicado por ikaros às 22:45
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Sábado, 12 de Abril de 2008

O cubo

Enquanto houver filmes destes, sou uma pessoa feliz...

 

O cubo & O cubo 2 (hypercubo)

 

[Para ser mais preciso, a quarta dimensão deveria ser identificada com o tempo (ou dimensão temporal). Todavia, entre as décadas de 1870 e 1920 na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, a expressão caiu no gosto popular com o significado de "quarta dimensão espacial" (ou seja, seria na verdade uma "quinta dimensão") e daí disseminou-se por todos os campos das artes e ciências, tornando-se "uma metáfora para o estranho e o misterioso" (Kaku, 2000, p. 41).]

wikipedia

publicado por ikaros às 16:18
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11 de Abril

Parabéns...

 

publicado por ikaros às 00:30
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Sábado, 5 de Abril de 2008

A conspiração francesa

 

Inicie-se este post com o seguinte  exórdio : não tenho nada contra a França nem contra o seu povo. Na verdade, o seu chauvinismo exorbitante e o seu egocentrismo desmarcado, são para mim elementos mais propícios para a comédia do que para qualquer sentimento aversivo. É apenas uma forma de canalizar assertivamente algumas energias.

Descobri em "Bouvard e Pecuchet " de Gustave Flaubert, um tique bastante sintomático na cultura francesa, que até ao momento me tinha passado um pouco ao lado, não fosse a sua existência assinalada com alguma recorrência periódica.

Ao que quero chegar? Recuemos um pouco e iniciemos este raciocínio no tempo da Ordem Templária.

 

No Século XII, quando o rei Balduino II recebeu Hugues de Payens , Gogofredo de Saint Omer e mais sete cavaleiros para protegerem Jerusalém dos infiéis, deu-lhes como albergaria a estrebaria no edifício do Templo de Salomão. Tempo tiveram para escavar o local e, diz-se, que descobriram algo valioso. Esta descoberta, independentemente do seu conteúdo, foi suficientemente motivadora para que alguns dos cavaleiros  regressassem  à Europa a fim de comunicar o achado. A partir deste momento, a ordem cresceu e a Europa (França) sofreu um impulso substancial tanto a nível tecnológico, científico e económico. Alguns dizem que descobriram o ouro de Salomão e que assim enriqueceram.

 

Existe também uma teoria que diz que os cavaleiros terão descoberto a Arca da Aliança e que posteriormente a resgataram para França. Na catedral de Chartes pode-se até mesmo ver esculpido num dos pilares, o grupo de cavaleiros a transportar a Arca. E existe ainda o Opicinus de Canestris. Neste mapa do Mediterrâneo, segundo Jeanne Franchet , o olho de uma pomba sobrepõe-se  à ilha de Chipre (local para onde se crê ter sido transferida a Arca de Aliança após a queda da Terra Santa). Neste mapa existe ainda a representação de um leão Britânico junto do qual se "julga" ler "Rocela". No mesmo mapa aparece ainda a inscrição "apage indicu". Ora, Rocela será uma alusão a La Rochelle, um importante porto na costa oeste de França e para onde os cavaleiros da Ordem do Templo recorriam frequentemente. Quanto a "apage indicu", a mesma refere que apage significa "longe daqui" e indicu refere-se a "índios".

 

Conclusões a retirar. a) fui ver o significado de "apage" e ao que parece esta palavra vem do grego  άπαγε que significa qualquer coisa como "some-te daqui" ou "põe-te a milhas". Ainda hoje, o termo ainda é empregue  em alguns exorcismos católicos; b) Se tudo isto é certo, existe uma clara obstinação, ainda antes de Colombo, em confundir as Américas com as Índias; c)Se tudo isto continua a ser certo e Rocela é de facto uma referência ao porto de La Rochelle, a França terá sido o primeiro país da Europa central a descobrir a América. Sim, segundo alguns, a América já tinha sido descoberta, a Arca foi mandada para lá (?!) e foi por isso que, anos depois,  tantos missionários decidiram lá voltar a fim de reencontrar o valioso mobiliário.

 

Deixando o Novo Continente de lado. Alguns afirmam que os cavaleiros encontraram a localização do Santo Graal. E o que é exactamente o Graal? Existem várias teorias, mas a mais romântica, é aquela que conta que o Santo Graal é um código para designar o filho de Jesus e de Maria Madalena. Supostamente, "Graal" provém da formação das palavras "sangue real", "sangraal"; "Saint Graal". Sinceramente, não sei se a etimologia permite esta aglutinação, mas ciência posta à parte, este dito filho de Jesus veio parar a França, onde foi secretamente guardado por cavaleiros dando posteriormente origem à dinastia real (francesa) dos reis Merovíngios. Por falar em filhos de Jesus, outra lenda afere a uma filha e que esta corresponde à figura de Sara Kali, uma santa que repousa na igreja de Saint Michel, em França. Esta santa é uma das favoritas do povo cigano, pois tinha uma tez de pele escura e como tal era uma alusão à tolerância entre povos.

 

Aproveito o parágrafo para deixar aqui a minha opinião sobre este assunto: os cavaleiros da Ordem do Templo estiveram no Templo de Salomão. Descobriram algo precioso, não propriamente ouro, mas talvez livros e pergaminhos antigos com enunciados sobre matemática, engenharia, ciência e alguma cartografia. Estes documentos seriam possivelmente uma recolha dos conhecimentos do antigo Egípto, da extinta Babilónia, da antiga Grécia, de Roma, etc (Salomão era um poeta e um homem culto). Da matemática e da engenharia, os templários teriam desenvolvido a tecnologia ( não esqueçamos que os futuros detentores dos segredos dos templários seriam os Maçons - "pedreiros" em Francês). Por outro lado, poderá ter existido também algum mapa grego com a localização da actual América. Digo Grego porque lembro-me ter ter ouvido algures que se tinha descoberto entre os artefactos Vikings um mapa de origem grega no qual  estava indicado parte do continente Americano. Este último, ao que parece, deu origem ao famoso mapa da Vinland  (cuja sua cronologia foi recentemente questionada). Seja como for, estes presumíveis mapas terão sido trazidos para França e, cá por mim, terão sido destruídos ou estraviados pelos lacaios de Filipe o Belo durante a fatídica noite de Sexta-feira treze. No entanto, foi salvo em memória por alguns elementos que se refugiaram em Portugal e fundaram a Ordem de Cristo. Bons anos depois, desta ordem foi Grão Mestre o Infante D. Henrique o qual impulsionou Portugal para o descobrimento de novos mundos. Pronto, cá por mim deve ser algo como isto. Quanto à arca da aliança e ao(s) filho(s) de Jesus, isto não faço a mínima ideia.

 

Não me demorarei muito sobre a personagem se Saint Germain. Referirei apenas que é um nome francês e que esta personagem, pelos vistos foi grão-sacerdote da Ordem de Lord Zadkiel na Atlântida e que depois encarnou personalidades como Merlin, Cristovão Colombo, Francis Bacon o qual traduziu a Bíblia para Inglês e escreveu parte das obras de Shakespeare, etc.

Saint Germain

 

Já no Século XX, um golpe de mestre foi protagonizado por Pierre Plantard. Este senhor francês iniciou o seu golpe em 1956 quando decide fundar juntamente com outros indivíduos uma associação para "constituir uma ordem católica, destinada a restituir de uma forma moderna, conservando o seu carácter tradicionalista, o antigo cavaleiro, que foi, pela sua acção, a promotora de um ideal altamente moralizante (...)". A esta associação, Plantard baptizou-a de Sion, que era nada mais nada menos do que a localidade onde este tinha vivido. Este Priorado de Sion perde aos pouco as características políticas e toma uma postura mais mística. Plantard começa a aprepagoar que o Priorado tinha tido origem em Jerusalém no Século XI, intitula-se "Pierre Plantard de Saint -Claire" descendente da linhagem merovígia e logo de Cristo. Depois, a cereja em cima do bolo. Forja uma tabela de Grãos-Mestres envolvendo nomes de grandes personalidades históricas como Leonardo DaVinci, Sheakespeare, Voltaire, etc,  e insere secretamente esta lista nos Dossiers Secrets de Lobineau na Bibliteca Nacional de Paris. Tudo parecia ir bem e de forma súbtil, mesmo que algumas figuras credíveis, como Humberto Eco, não dessem muita importância a este documento "estranho". Até que em 1993, Plantard vê-se obrigado a confessar o seu logro devido a uma eclosão de escândalos financeiros que foi parar à barra dos tribunais franceses e, embora não envolvido, o nome de Priorado de Sion acabou por ser mensionado na investigação. Não se pode dizer que tenha abalado muito a história. Até ao momento em que o famoso "Código DaVinci" volta a pegar nesta lista forjada e a torna espinha dorçal da sua narrativa. Dan Brown defendeu-se depois afirmando-se ficcionista e não historiador (claro). Quanto a Plantard, devo referir que esta história é foi admirável na medida em que este foi sempre um homem solitário, que vivia com a mãe, e que fez do seu pequeno apartamento local sede do grandioso Priorado de Sion.

  

E terminarei este pensamento sobre a conspiração francesa referindo o livro que me despertou a atenção: "Bouvard et Pecuchet" de Gustave Flaubert. Após as duas personagens principais do livro se terem retirado para o campo, estas tornam-se agrónomos, arquitectos paisagistas, físicos, médicos, antropologistas, geologistas, historiadores, etc... Aquando da loucura sobre a história, o autor refere uma corrente de estudiosos da altura que afirmavam: os gauleses, antepassados dos franceses, adoravam vários deuses entre os quais o grande Teutatés (Toutatis) e Esus. Teutatés era o Saturno dos pagãos. "Saturno, quando reinava na Fenícia, desposou uma ninfa chamada Anobret, de quem teve um filho chamado Jeúde - e Anobret tem as feições de Sara e Jeúde foi sacrificado (ou quase foi) como Isaac; portanto Saturno [Teutatés] é abraão, de onde há que concluir que a religião dos gauleses tinha os mesmos princípios da dos Judeus." E depois continua relatando que o conhecimento druídico sobre botânica e medicina  tinha sido transmitido não de, mas aos filósofos da Antiga Grécia como Pitágoras e Platão. As afirmações estendem-se e emglobam teorias sobre o Antigo Egípto, o menir e o obelisco (já agora, chamemo-lhe Obelix), o vitelo de ouro, etc...

Pesquisei. E existe realmente uma corrente celta que afirma: juntando a letra "J",  proveniente do deus romano JúpiterEsus, deus gaulês, obtemos assim o nome de Jesus. Assim sendo, Jesus tinha um nome gaulês, logo francês. Flaubert , no seu típico humor subtil, no que diz respeito a esta teoria, refere: "Mas, deste povo (os gauleses), que dominava o mundo antigo, só restam pedras, ou isoladas ou em grupos de três, ou dispostas em galerias, ou formando cercas. (...) Como é possível que os monumentos dos gauleses sejam informes quando esses mesmos gauleses eram civilizados no tempo de Júlio César? Provinham, decerto, de um povo mais antigo..."

 Gustave Flaubert

 

Sem dúvida que muito mais haverá a dizer sobre este tema. O certo é que é uma sorte a história ter chegado hoje até nós da forma como nos é contada. Ou talvez não... Enfim, é caso para dizer: "Por Toutatis, estes gauleses são doidos!"

 

Mas talvez não sejam só eles...

 

"Goodness Gracious Me" - BBC

publicado por ikaros às 15:48
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Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Orlando

O dia da mulher já passou. Para além de todas as festas, Ladies Nights e stripteases masculinos para celebrar  esta gloriosa data, gostaria de deixar aqui o clip de um filme, o qual julgo ser um dos maiores tributos que se poderia prestar às mulheres em geral....

 

 

 

Orlando

um filme de Sally Potter, baseado num romance de Viginia Woolf, com Tilda Swinton no principal papel.

publicado por ikaros às 14:33
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Freya Stark

Dame Freya Madeleine Stark

1893 - 1993

 

Na minha busca pela história das civilizações europeias da idade média, através do personagem http ://pt.wikipedia.org/wiki/Hassan_ibn_Sabbah" target=_blank>Hassan - i - Sabbah , de dei pela referência de um nome que me aguçou a curiosidade: Freya Stark . Porquê? Porque era um nome feminino. E neste contexto medieval , à excepção da Joana d' Arc e de uma ou outra herege , poucas mulheres puderam ver o seu nome figurar na história da humanidade. Quem era ela? Procurei e mais surpreendido fiquei.

Freya Stark nasceu nos finais do Século XIX, em França, era cidadã britânica, e foi viver para o médio oriente. Começou a viajar por esta zona e realizou os seus relatos. Numa dessas incursões foi até à Pérsia (ainda se chamava assim), e percorreu a província do Luristão à procura de indícios da extinta Ordem dos Assassinos. Sobre esta ordem, muitas coisas fascinantes há a dizer. Por exemplo, durante muito tempo julgou-se que a palavra  "assassino" derivava do termo "haschichiyun ", ou seja, "fumadores de haxixe". Hoje sabe-se que provém de "Assass ": os fundamentos da fé Islâmica.

Trivialidades à parte, Freya Stark empreendeu uma viagem  surpreendente num mundo permitido só a homens, numa altura muito delicada (em 1935 a Pérsia transformar-se-ia no actual Irão), num mundo a entrar em guerra, na qual ela participou em estreita colaboração com os países Islâmicos .

Grande mulher!

 

 

http://www.complete-review.com reviews travel starkf1.htm

publicado por ikaros às 09:56
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Sábado, 12 de Janeiro de 2008

Christiane F.

 Vera Christiane Felscherinow  1968 -

 

Há algum tempo, coloquei um trailer do filme "Christiane F. - Wir Kinder vom BahnhofZoo" no site do Youtube e, surpresa minha, comecei a receber uma data de mensagens privadas a pedirem informações sobre mim, se quero aderir ao clube Christiane F. ou simplesmente para falarem sobre o filme.

Recentemente voltei a ver o filme e só desta vez me apercebi do flagelo que estava instalado no seio da minha infância. Hoje as drogas são outras e as pessoas estão mais informadas, mas nos meados da década de 70 este era um assunto verde e cheio de dúvidas. Lembro-me das primeiras sensibilizações nas escolas. Pediam-nos para não consumirmos drogas. Não se sabia bem o que era, mas era mau. "Não aceites rebuçados de outros colegas porque pode ter droga" diziam-me. Saia da escola, e lá ia para casa. Passava pelos "grandes", de cabelos compridos e vestidos com "jeans" desbotados, encostados às motoretas e a conversarem em círculo. "lá estão eles, os drogados." Epá, parecia-me fixe, aquela liberdade toda.

 

Dedico este post a todos os meus amigos de infância que já morreram por causa desta porcaria, aos outros que não voltei a saber nada e que desapareceram, e aos poucos que conseguiram voltar à tona da água. Um abraço ao clube "Chistiane F." e muita força.

 

publicado por ikaros às 14:54
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A CENSURA

Recentemente, um clipe que tinha colocado no Youtube, foi retirado por ser "unapropriated". O clipe mostrava uma das cenas mais belas do filme "O tempo dos ciganos" de Emir Kusturica. Mas o pessoal do Youtube não se sensibilizou pela beleza das imagens. Nem pelo cenário, nem pela coreografia e nem sequer bela majestuosa música de Goran Bregovic. Não. Os olhos dos nossos colegas americanos foram-se fixar direitinhos nos mamilos de uma jovem rapariga que pintava o seu peito com henna. Não sei. Talves tenha sido a cena da barcaça. Não faço a mínima ideia. O que sei, é que este trecho foi o suficiente para o clipe ser considerado inapropriado para a comunidade Youtube e foi retirado.  E note-se o pormenor: não colocaram um aviso de conteúdo (como por exemplo este vídeo de uma atriz porno que decidiu utilizar o Youtube para publicitar os seus dotes http://www.youtube.com/verify_age?next_url=/watch%3Fv%3Db3xlrSpC5Q0). Não. Limitaram-se a retirá-lo, pura e simplesmente!

 

 

Eu sei que existem sensibilidades diferentes e que cada cultura tem de ser respeitada. Muito bem. Por isso é que a cena da orgia do filme "Os Idiotas" de Lars Von Trier não está neste momento no Youtube. A mim, a cena não me choca e creio que até foi bem bolada. No entanto, convenhamos: é um bocado puxadote! Mas uns seios?! Simples, sem tremelicos e sem bicos espetados? Não entendo. Será preciso ser-se americano. Como é que eles dão de mamar aos bébés? E a Vénus de Milo? Aparece nos manuais de arte? Definitivamente, depois da proibição de fumar, era só o que me faltava.

 

E assim foi a minha história: fui censurado! (Ainda tentei contactar o Kusturica, mas pronto... quem sou eu?). Como tal, peguei no Movie Maker do Windows e enviei este clipe como resposta:

 

 

Entretanto o clipe com a cena inapropriada foi de novo colocado na seguinte morada: http://www.youtube.com/watch?v=yKynRpgO4Mk . Vejam e digam qualquer coisa.

 

 

Leitura recomendada para a ocasião:

 

 

 

"Os Sete Minutos" de Irving Wallace

http://static.publico.clix.pt/docs/cmf3/escritores/83-IrvingWallace/texto.htm

 

 

publicado por ikaros às 00:12
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2007

O culto da cultura

Pois é. Há relativamente poucos anos atrás, as pessoas tinham que se mexer para ter alguma informação. A Internet não existia e, por isso, qualquer notícia sobre o mundo da cultura alternativa era adquirido a muito custo, com o esforço da leitura, dos contactos entre amigos e de horas intermináveis sentado em frente à televisão, à espera do programa certo, à hora certa. Quem se baldava ficava à nora. As revistas eram muitas vezes emprestadas, os programas da TV eram gravados em VHS, as cassetes áudio eram gravadas e regravadas até à exaustão, música sobre música, registo sobre registo, e isto tudo para poder compilar algo que se parecesse com um arquivo... "talvez, um dia mais tarde, faça falta". As revelações fotográficas eram caras e scanners nem vê-los. Recortavam-se as imagens das revistas, fotocopiavam-se artigos e apontavam-se nomes e outras referências no canto da capa de uma TV Guia que era, inadvertidamente, jogada fora na semana seguinte. Não havia SMS e tudo era mandado por correio: comprar o selo, o envelope, colocar a carta na caixa dos CTT, esperar dois dias para que chegasse ao destino e esperar, na melhor das hipóteses, mais dois dias pela resposta.

 

No início, só a música me interessava. Ainda antes de eu ser gente, havia o Top + e o Europe Countdown . Depois veio o Pop-off e Euroritmias , ambos na RTP2 e que entretanto já desapareceram. E havia o Blitz, quando ainda era um jornal de música e quando ainda existiam pensamentos ociosos e pregões a serem preenchidos num espaço dividido por pequenos quadradinhos.

 

Depois cresci, tornei-me mais ecléctico , e comecei a acompanhar o Outras Músicas (também morto). Nessa altura descobri Metropolis , na TVE2 onde me foi dado a conhecer a realidade virtual quando cá ainda se jogava com o Spectrum 128K; os Nirvana quando cá a música pesada era somente Iron Maiden; e nomes como Zbigniew Rybczynski, Joel Coen  entre outros que aprendi a respeitar. (Este programa ainda dura.)

 

Veio o momento do programa Acontece, na RT2 e que entretanto também faleceu. (É impressão minha ou vai-se morrendo neste país?). Quanto à leitura, desviei-me para algo mais cosmopolita e "trendy" e comecei a seguir a revista The Face. Esta última também morreu, mas pelo menos era Inglesa (dizem que não se aguentou devido à Internet).

 

E é devido à Internet que hoje tudo se sabe. E também graças à TV por cabo. Muitas coisas. Demasiadas! Por isso, hoje em dia, leio o suplemento Ypsilon do jornal Público e sigo o programa Tracks no canal ARTE que é muito bom e recomenda-se.

 


Punks en Indonésie Tracks arte
TRACKS_unofficial
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Domingo, 9 de Dezembro de 2007

Forguette Mi Note

 Numa das minhas deambulações por Paris, um amigo convidou-me para permanecer uns dias na sua casa. Era fotógrafo amador, especialista em computadores e estava desempregado. Pôs-me à vontade no seu lar e indicou-me a estante onde estavam os CDs e os livros: "Estás à vontade". Não hesitei. Percorri as todas as lombadas expostas à procura de um título familiar ou de alguma novidade da capital francesa. Curiosamente nada do que estava ali me era conhecido. Devo ter feito uma cara visivelmente desnorteada porque poucos minutos depois ele aprontou-se em tirar algumas obras da estante e, de seguida,  deu-me uma acção de formação sobre as novas tendências, os novos experimentalismos e o novo mundo que estava para vir.

No meio daquela nova onda cultural, veio-me parar às mãos um CD: "Cruciforme", de uma banda chamada Forguette Mi Note. Era uma descoberta. Dirigi-me até à loja mais próxima, comprei uma cassete audio (sim, ainda era nesse tempo) e copiei a obra. " Mais tarde, comprarei o CD." - pensei eu.

 

 

Os anos foram passando e não encontrei  CD algum à venda. Percorri a Valentim de Carvalho e mais tarde a FNAC. Em vão. Quanto finalmente a Internet chegou à minha casa, já os Forguette Mi Note eram coisa do passado: separaram-se e pouco mais deixaram do que uma certa nostalgia a pairar sobre a França. Ainda hoje procuro algo sobre eles. Fotografias do grupo? Nicles.

A vocalista, Dit Terzi, seguiu uma carreira a solo. A violinista, , Julie Bonnie junto com o seu irmão criaram o grupo Cornu (com algumas participações esporádicas de Yann Tiersen. Sylvestre Perrusson, o contrabaixista, integrou em alguns trabalhos de Rubin Steiner Band e criou o seu projecto Croque-Love.

E a história continua....

publicado por ikaros às 00:42
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Sábado, 8 de Dezembro de 2007

Os profetas da desgraça

Creio que em Janeiro de 2008 vai entrar em vigor uma série de leis que regulamentarão novos costumes, as quais  nos ensinarão a sermos mais civilizados. Em nome da saúde pública, a restrição ao consumo de tabaco em locais públicos, e em alguns locais de trabalho, vai ser agora mais incisivo; ao que parece, o café deixará de ser servido em chávenas de porcelana para passar a ser consumido em pequenos copos de plástico; aos sacos de plástico dos supermercados, o estado irá cobrir uma taxa; os vendedores de castanhas já não poderão utilizar o emblemático cone construído com papel de jornal; entre outras coisas. A EDP anunciou que quer substituir os contadores de electricidade por outros mais modernos. A quem cabe pagar a nova maquineta? Não se sabe ainda. A CEE estipulou um prazo para os nossos canais de televisão começarem a transmitir a nossa grelha de excelentes programas por via digital. Em nome da uniformização, dizem eles. Entretanto, os galheteiros desapareceram das mesas dos restaurantes, as colheres de paus foram banidas, o Inglês ensina-se na escola primária e, embora se continue a martirizar touros em Barrancos, aboliu-se a tradicional "matança do porco" no resto do território nacional. As nossas crianças festejam o halloween e o S. Martinho foi para o galhete. Finalmente tornámo-nos mais civilizados... Quer dizer, pelo menos, à primeira vista, já não metemos nojo a ninguém.

 

É o progresso. É a saúde pública que está em jogo. É o futuro.  Enfim, temos de reconhecer que este é o caminho. Deve ser. Pessoalmente, apesar de ser fumador, há muito tempo que deixei de me deleitar com o meu apaziguante cigarro à mesa de um restaurante. O hábito de sair para dar uma fumarada já o tinha interiorizado. E também há muito que me abstive de saciar este vício em locais fechados. Por respeito. Mas a ASAE promete estar presente e zelar pelo nosso bem estar. Bem estar? Não sei. Pessoalmente, sempre gostei de sandes chungas consumidas em locais chungas. Quando comia um cachorro quente numa roulote à berma da estrada, sempre soube que aquelas não eram propriamente as condições mais salutáveis para as minhas delicadas entranhas, mas no entanto, nunca me coibi de fazer o meu pedido num destes locais. São manias. Por outro lado, ainda hoje não consigo frequentar piscinas públicas. Por muito cloro anti-bacterianos que possam introduzir na água, aquele frio recipiente azul sempre me fará lembrar uma enorme banheira imunda com centenas de corpos, com sovacos, pés, genitais e afins a serem banhados numa só água. Por mim, nunca lá porei uma unha que seja. E não venha nenhuma ASAE dizer o contrário: é uma questão de princípios.

 

E isto tudo para dizer o quê? Bem, não há opções. É isto e acabou. Quer o povo queira ou não. Mas resta-me esta estranheza, a leve suspeita de que tudo isto me foi impingido. Sim, eu sei que é necessário, mas neste momento não deixo de sentir uma leve sensação de que me estão a imobilizar o corpo aos poucos e poucos de um modo muito dissimulado. Esta forma de se criar leis, este tom paternalista por parte dos nossos governantes, que aos poucos nos livram da nicotina, dos vermes, da tacanhez, do colesterol...  Não sei. Naõ sei mesmo 

 

Por outro lado, e não querendo sucumbir à tentação de me tornar num Velho do Restelo,  acredito muito sinceramente que Portugal se está a tornar num país "para Inglês ver". Um país com TGV, aeroportos e ADSL hiper-rápido e depois onde a informação entope num terminal de correios que não funciona, ou numa empresa que açambarca alternativas, ou no emaranhado sistema de leis, que remete para uma centena de decretos que entretanto já prescreveram e que se cinjem agora pelo regulamento da nova portaria do ministério XPTO que ... 

Talvez seja assim mesmo o futuro: uma fruta  imaculada, gorda e luzidia. Que sabe a cartão e se desfaz como cortiça. (Há tanto tempo que não como um pêssego, daqueles em que a polpa está firmemente agarrada ao caroço, cuja a pele desliza apenas com a leve pressão dos dedos e em que o sumo doce e perfumado escorre pelas mãos e segue em rio até atingir a ponta dos cotovelos. Daqueles cultivados com cócó de vaca.)

 

O futuro: que saudades que tenho dele! 

 

 

                                                                                           

"Admirável Mundo Novo" de  Aldous Huxley                         "1984" de George Orwell 

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publicado por ikaros às 01:14
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Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Sidarta - Hermann Hesse

 

Hermann Hesse

1877 - 1962

 

Não me vejo propriamente como um ser espiritual, mas reconheço que em todas as histórias religiosas, míticas e tradicionais escondem-se significados comuns a todos os seres humanos e extremamente assertivos no que diz respeito à nossa união com o mundo.

 

E se me considero bastante pragmático em determinados aspectos, em algumas situações não tenho pudor em assumir que prefiro parar um momento e ouvir aquilo que o mundo tem para me dizer. Básicamente procuro sinais, escuto o ritmo da vida, observo o fluxo da vida e tento centrar-me. É um exercício que me mantêm lúcido e para isso tanto recorro a ensinamentos católicos, como budistas ou filosóficos. Existe uma raíz comum em todos eles e é nessa raíz que procuro as minhas energias. Antes isso do que recorrer à paraga de livros de auto-ajuda que inundam as nossas livrarias.

 

E foi num romance magnificamente bem escrito que há alguns meses reencontrei forças para voltar à tona de água.  Sidarta é uma das mais prodigiosas prosas escritas por Hermann Hesse. Foi um pequeno tesour que estava esquecido numa das minhas estantes (daqueles livros que a princípio nunca seriam lidos) e que me veio parar às mãos inadvertidamente. Enfim, ouvi as palavras que precisava ouvir no momento. Poderiam ter sido outras, mas estas serviram.

 

Mesmo que eu não seja eterno ou que não reencarne após a minha morte não estou disposto a que a roda de Samsara inicie o seu ciclo indefinitivamente na minha vida. Por outras palavras: recuso-me a fazer o trabalho de Sísifo. (Viram como é facil criar-se uma analogia entre o budismo tibetano e a mitologia da antiga Grécia? O segredo está na raíz.)

 

mais sobre este livro em: http://biblioteca.folha.com.br/1/16/sinopse.html

publicado por ikaros às 17:18
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Glam Rock

Nos finais dos anos 60 apareceu em Inglaterra uma tendência que aos poucos começou a divergir da filosofia do “Flower Power”. O Glam Rock depressa se desenvolveu e em meados dos anos 70 já tinha seriamente influenciado os Estados Unidos da América. Aproveitando a revolução social dos anos 60, em que tudo foi permitido desde os costumes, às artes e à moda, este novo movimento era em tudo diferente do anterior no que dizia respeito ao seu conteúdo.

Se na década anterior se fizeram apelos à paz, à liberdade e ao respeito pelos direitos humanos, desta vez os jovens pouco mais faziam do que apelar ao seu direito de serem adolescentes: carregados de energia de hormonas e de uma curiosidade irreflectida sobre o mundo. Ou seja, uma nave fora de controlo e uma dor de cabeça para os pais. E mesmo os poderes económicos, pela primeira vez na Europa, decidiram levar a classe adolescente como potencial grupo alvo. Os dados estavam lançados. 

Foi uma moda curta, vazia para alguns e sem dúvida irreverente. Os “Children of the Revolution” estavam prontos e a um passo da tendência que viria fazer tremer a coroa Inglesa: o Punk.

 

                                                           

 

No que me diz respeito, mensiono aqui apenas os dois exemplos que me marcaram: os Cuddly Toys, cujo trabalho conheci por acidente numa venda de leilão; e o já mítico David Bowie.

 

publicado por ikaros às 16:07
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Dogville

 

Estive ausente por uns meses. Durante este período passaram-se várias coisas que me fizeram duvidar se valeria realmente a pena perder tempo em escrever posts sobre o meu imaginário. Confesso que o que mais desejava na altura era a iniquilação total da humanidade. Talvez impelido por um alento dramático, estive disposto a refutar todas as coisas boas que se fazem neste mundo devido à ignorância e à malvadez de meia dúzia de pessoas. Não vale a pena.

Infelizmente este é um problema que se sente sobretudo nas pequenas cidades: há pouca gente e mesmo que algumas pessoas com almas pequenas, estas tornam-se subitamente muito. E sufocam.

 

Por isso, dedicado a estas almas insignificantes, deixo aqui este post sobre o filme Dogville de Lars Von Trier. O enredo é simples: durante o período da grande depressão americana, Grace refugia-se na pacata localidade de Dogville situada nas Montanhas Rochosas. É acolhida por Thomas Edison Jr que pede aos habitantes da vila para lhe dar protecção. Estes aceitam e para demonstrar a sua gratidão, Grace compromete-se em ajudar a comunidade nas suas tarefas  quotidianas.

Embora os habitantes, no início, não se mostrem muito disponíveis para serem ajudados, muito depressa começam a exigir a Grace tarefas cada vez mais árduas e mais numerosas. A realação entre o personagem e os outros deteriora-se de uma forma quase absurda no momento em que a polícia coloca em Dogville um cartaz que dá a conhecer que Grace é uma pessoa procurada.

Não contarei o resto do filme, mas estou certo que no final todos reconhecerão que os nossos desejos são por vezes mais obscuros do que realmente queremos assumir.

 

 

publicado por ikaros às 13:41
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2007

Emir Kusturica

Emir Kusturica é um maestro do caótico. Ninguém como ele para saber conjugar tantas acções, personagens, figurantes, diálogos, efeitos sonoros e músicanuma única cena. É uma confusão, do princípio até ao fim, pautada pelo carpido de um acordeão que toca relutantemente uma valsa, ou por uma explosão bem no meio de um jardim zoológico ou pelo  arensar de um cisne que se viu transformado em toalha turca. E, no meio deste circo cacofónico , surge uma belíssima história.

O enredo principal, sempre muito dramático, decorre por entre estes cenários felinianos, fazendo com que o ridículo se entrelace com a tragédia e nós ficamos na dúvida se a situação é para rir ou para chorar. Mas não somos nós todos um bocadinho sádicos? A cena desenrola-se e acabamos por rir concluindo que nós, seres humanos, não somos assim tão lógicos como aparentamos e que não nos devemos levar muito a sério.

Talvez por isso Kusturica  elegeu o povo cigano como musa para os seus personagens. Porque entre a tragédia que é a vida, haverá sempre tempo para festejar, dançar ou casar-se. "Grande catástrofe!" pensa o trompetista enquanto, sem para de tocar, vê o chimpanzé armar um tanque de guerra.

 

Aqui deixo uma amostra de dois dos meus filmes preferidos :

 

"O Tempo dos Ciganos" - História que foca uma família de ciganos, que após terem ficado sem casa devido a uma explosão, confiam a sua filha a um amigo para este levá-la a um hospital para ser tratada a uma doença crónica que sofre nas pernas. Pouco depois, um dos irmãos da rapariga descobre que esta, afinal, foi vendida a um grupo de proxenetas que se dedica à prostituição infantil. O jovem herói segue a pista até Itália onde acaba por se envolver na vida do crime e tornando-se numa figura proeminente da máfia local.

 

"Underground " - Durante a Segunda Guerra Mundial, Belgrado é bombardeada pelas tropas Nazis. Marko e  Blaky , dois amigos de longa data,  ripostam à invasão alemã. Blaky , o mais destemido, torna-se um homem procurado sendo obrigado a esconder-se numa cave, juntamente com alguns  amigos e familiares. Neste local, os refugiados contribuem secretamente para a causa construindo armas que Marko usa para a defesa da pátria. No entanto a guerra acaba, o mundo vive de novo em paz, passam-se quinze anos e... na cave, acredita-se que a guerra continua enquanto Marko vive no exterior desafogado com o lucro da venda de armas.

 

Nos primeiros filmes, Kusturica deixou a banda a cargo de Goran Bregovic. Desde  "Gato Preto Gato Branco" a incumbência desta tarefa foi transferida para os No Smoking Orchestra do qual ele também faz parte.

 

publicado por ikaros às 15:33
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Terça-feira, 3 de Julho de 2007

Antoni Gaudi

Antoni Placid Gaudi  1852-1926

 

Lembro-me de ter visto um dia, quando criança, uma reportagem sobre a igreja da Sagrada Família em Barcelona. Não retive o nome, mas aquela construção estilo castelo de areia ficou-me na cabeça. Mais tarde, na secundária, tive de realizar um trabalho sobre a Arte Nova. Escusado será dizer que o nome de Antoni Gaudi veio à baila e, com ele, a maravilhosa obra da Sagrada Família. No entanto, e apesar de saber agora inserir a construção no seu contexto histórico e no seu estilo artístico, eu continuava pasmado perante tanta audácia (sim é esta a palavra). Parecia-me que aquele homem tinha vindo do futuro ou de outro planeta e chocava-me o facto de só muito tardiamente ter ouvido falar dele. E apetecia-me gritar a toda a gente: "Mas será que estão cegos?! Vejam!".

Alguns conhecidos meus, que seguiram entretanto o curso de arquitectura, qo referir-se o nome de Gaudi, não deixavam de esboçar um pequeno sorriso trocista seguido do comentário: " Sim mas...  Gaudi é mais escultura do que arquitectura." Desisti.

Na universidade, numa banca que se tinha instalado no átrio do bufete, decidi rebuscar uns trocos nos meus bolsos e comprar o livro da Tashen sobre Gaudi . Folhei-o e dirigi-me para um colega de turma. Seria agora que iria encontrar um par para o meu deslumbramento? Mostrei-lhe o livro e comentei: "É incrível como este homem teve coragem de criar umas coisas destas.". Resposta: " Mais incrível foi como houve uma câmara municipal com coragem de aprovar umas coisas destas.". Desisti.

Por vezes, alguns dos meus amigos passam pela Catalunha para ir ver arte. Relutante questiono: "E que tal?" (sempre à espera que haja alguém que se emocione com a obra ao vivo). Resposta: "Épa, o Guggenheim ... aquilo é espectacular!"

Não sei, há algo em Gaudi que insiste em ficar subvalorizado. Talvez sou eu que exagero. Ou talvez goste demasiado de Ficção Científica. Não sei. Parece que estou destinado a apostar na equipe errada. Depois lembro-me dos últimos dias de vida de Gaudi. Velho e cansado, decidiu investir os últimos esforços e dinheiros na conclusão da catedral da Sagrada Família. Esqueceu tudo, só aquilo importava. Descuidou a sua saúde e o seu aspecto nessa missão. Quando morreu atropelado por um eléctrico, julgou-se tratar de um vagabundo que por ali passava. Só no dia seguinte foi identificado: era de facto Antoni Gaudi , o homem que deu Barcelona ao mundo.

 

   

publicado por ikaros às 02:00
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Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

Italo Calvino

Italo Calvino 1923-1985

De novo uma surpresa latina.

Ítalo Calvino é um nome bastante conceituado no mundo da literatura e é, sem dúvida um homem que gosta de livros. È uma daquelas pessoas que gostaríamos de ter tido como mestre ou professor e que sabemos que ao ouvi-lo estamos a aprender muito mais do que a história deixou para trás. Ele faz a história.

 

O livro narra a história do leitor (eu) que comprou o último livro de Ítalo Calvino, “Se Numa Noite de Inverno Um Viajante”, e que quando chega a melhor parte do livro, este inicia-se com um segundo capítulo de uma outra história que nada tem a ver com o primeiro. Ao chegar à livraria para reclamar, o leitor (ele) encontra Ludmilla, uma leitora que se queixa do mesmo problema. Descobrem então que o segundo capítulo não foi escrito por Calvino, mas por um autor Polaco. Intrigados iniciam a leitura do novo livro para descobrir, posteriormente, e outra vez incompleto na melhor parte da história, que o livro não é polaco, mas cimério. A busca continua, e os dois protagonistas são envolvidos em conflitos políticos, um repórter desaparecido que iniciou uma demanda em busca do romance perfeito, sociedades secretas que disputam a hegemonia dos princípios literários e mais um cem número de coisas. Na realidade existem dez histórias inacabadas, mais uma que as interliga. Por fim descobre-se que… não, não vou contar.

“Se Numa Noite de Inverno Um Viajante” é um dos melhores livros que já li. E a melhor forma de o descrever é a explicação que dei a um amigo há algum tempo: “Quanto tempo levas a ler um livro destes? Uma semana? Duas? Então imagina uma performance sexual de duas semanas, na qual não consegues atingir o orgasmo, porque no momento fulcral, algo te distrai de modo que tens de recomeçar tudo de novo.” Dá cabo de uma pessoa, não dá?

publicado por ikaros às 17:01
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